TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

23 de março de 2017

18:00


Política pode ter dois significados. Um deles é a arte de negociação para alinhar os interesses; o outro significado, que nos interessa, é a ciência da administração de um estado ou nação. De modo geral é a visão política que vai determinar como as decisões de esfera pública são tomadas. Você não encontrará a expressão na Bíblia, mas a Palavra vai tratar de esferas de governo: família, igreja, governo civil, etc.


Muitos cristãos veem o governo civil como algo ruim, chagando a demoniza-lo. Isso não é novidade, Calvino precisou confrontar e opor-se aos Anabatistas que ensinavam essa perspectiva, que infelizmente, está amplamente difundida no meio "gospel". Mesmos grupos mais tradicionais condenam o envolvimento político e como se não bastasse, ainda apontam o envolvimento social como algo inútil e desnecessário.


Meu intuito não é expressar um discurso áspero ou mesmo carregado de amargura contra a "igreja que está adormecida", mas a partir do texto bíblico compreender a perspectiva bíblica de maneira clara e objetiva. 


Por meu intermédio os reis governam, e as autoridades exercem a justiça; também por meu intermédio governam os nobres, todos os juízes da terra. Provérbios 8:15 


Todo governo civil é autenticado, sendo estabelecido pelo próprio Deus. Ele não simplesmente reconhece a autoridade dos poderes, mas está envolvido e atuando na história para utiliza-los para cumprimento de seus propósitos. 


Não inferindo ao texto modelos modernos de política, mas podemos observar que as instruções do sábio salomão parecem apontar inclusive para a realidade do legislativo, executivo e judiciário.


Mas como deve ser nosso envolvimento? Nos próximos artigos esperamos ajuda-los a responder essa pergunta a partir do texto de Romanos 13, que nos dá orientações de como devemos nos portar no espaço público e civil.


Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal. Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. Rom 13:1-5


Esses poucos versículos nos apresentam lições significativas de como deve ser a nossa postura diante do governo civil. Há dois imperativos que regem essa relação: sejamos submissos e pratiquem o bem. Paulo expressa com isso dois princípios, a submissão e o envolvimento. Esses estão alinhados com a soberania do Senhor Deus que não apenas reveste de autoridade os governantes, mas espera de nós uma participação ativa no cenário cívico. Não é à toa que o próprio Jesus ora em João 17: “Não os tire do mundo, mas os livre do mal”! 


A alienação política e social anda na contramão do que o Senhor espera de nós. Estar no mundo é dar a Cesar o que é de Cesar, é servir de modelo diante de uma sociedade corrompida, revelando os valores do reino eterno e calar a boca dos que se opõem a justiça através da prática das boas obras. Estar no mundo é envolver-se com ele a ponto de influencia-lo, sendo preservado pelo Espírito Santo de Deus pelo poder da Palavra, e não se isolar em uma cúpula religiosa. Para isso precisamos nos submetermos, e praticarmos o bem - submissão e envolvimento. 


Um terceiro princípio está implícito em nosso texto. A submissão às autoridades civis precisa estar fundamentada no respeito, essa perspectiva é reforçada pelo versículo 7 do mesmo capítulo. Jesus nos dá o exemplo. Mesmo diante de injustiças, pessoalmente Jesus submeteu-se às autoridades civis não se rebelando contra a postura que eles assumiram, e fez isso em respeito à autoridade a elas concedidas:


Jesus respondeu: “Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima. Por isso, aquele que me entregou a ti é culpado de um pecado maior”. João 19.11



O que a Bíblia fala sobre política?  O governo civil é estabelecido por Deus e, portanto, merece nosso ENVOLVIMENTO, RESPEITO e SUBMISSÃO.