TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

16 de março de 2017

18:00
Série - O Evangelho na vida de um ateu: O filósofo, o Romancista e o Físico


Como vejo o mundo

Como renomado físico que era, Albert Einstein recebeu, na década de 20, o Prêmio Nobel de Física. Tempos depois, foi eleito o mais notável físico de todos os tempos, tendo como uma de suas maiores contribuições a teoria da relatividade.

Ao escrever, em caráter mais pessoal, o livro “Como vejo o mundo”, Einstein aborda questões como religião, liberdade e moral. Acreditava ele que a religião de fato proporcionaria respostas a perguntas sobre a existência humana[1]:

“Tem um sentido a minha vida? A vida de um homem tem sentido? Posso responder a tais perguntas se tenho espírito religioso. Mas, ‘fazer tais perguntas tem sentido?’ Respondo: ‘Aquele que considera sua vida e a dos outros sem qualquer sentido é fundamentalmente infeliz, pois não tem motivo algum para viver’.”

Einstein, como cientista inato, também encontrava no universo grande admiração, de forma que chegou a propor uma espécie de “religiosidade cósmica”, a respeito da qual lhe seria dificultoso falar, pois não haveria nenhuma divindade humana apta a explicar tal realeza[2]:

“Dou a isto o nome de religiosidade cósmica e não posso falar dela com facilidade já que se trata de uma noção muito nova, à qual não corresponde conceito algum de um Deus antropomórfico.”

Diz ele que se notam exemplos desta religião cósmica nos primeiros momentos da evolução em alguns salmos de Davi ou em alguns profetas[3]. De fato, o Rei Davi, a quem Einstein se refere, apreciava o universo em toda sua formosura, como uma manifestação de louvor (Salmo 19.1).

Ambos contemplavam o mesmo universo; e o descreviam com um espírito poético o que lhes estava diante dos olhos. Einstein, no entanto, reconheceu que neste arcabouço de beleza inimaginável alguns de seus companheiros encontrariam grande motivação para os estudos[4]:

 “Que confiança profunda na inteligibilidade da arquitetura do mundo e que vontade de compreender, nem que seja uma parcela minúscula da inteligência a se desvendar no mundo, deviam animar Kepler e Newton para que tenham podido explicar os mecanismos da mecânica celeste, por um trabalho solitário de muitos anos.”

Ali encontramos aspectos da Graça, na criação. De maneira curiosa, Einstein percebeu que diante de toda a imensidão do universo só nos restaria um profundo vazio, sobre o que escreve[5]:

“Sua religiosidade consiste em espantar-se, em extasiar-se diante da harmonia das leis da natureza, revelando uma inteligência tão superior que todos os pensamentos humanos e todo seu engenho não podem desvendar, diante dela, a não ser seu nada irrisório.”

Einstein vislumbrava a criação, mas não o Criador. Não sabemos se em seu último suspiro ele continuou acreditando que não existia nada além do universo.

Tal como um som orquestrado, Einstein ouvia os ruídos da Graça, cuja majestade repercutia no universo criado. Assim já dizia o Apóstolo Paulo, pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas (Romanos 1.20).

Por que é tão difícil perceber os vestígios da Graça, até mesmo quando estamos rodeados de tantas coisas que a manifestam? O Evangelho na vida de um ateu, na verdade, é o Evangelho na vida de todos nós, que, mesmo descrentes de tamanho favor, Ele nos amou (Romanos 5.8).


[1] EINSTEIN, Albert. Como vejo o mundo. Tradução de H. P. de Andrade. Ed. especial. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011. p. 16.
[2] Idem. p. 23.
[3] Idem. p. 23.
[4] Idem. p. 25.
[5] Idem. p. 26.