Uma fé implicante

Uma fé implicante
16 de fevereiro de 2017

17:00

“E Deus disse a Moisés: Eu Sou o que Sou. Disse mais:
Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós.” 
Êxodo 3.14

Em sociedades cuja preservação tradicional é acentuada, o nome de uma pessoa oferece informações sobre quem, de fato, a pessoa é. A nossa pergunta titular resgata essa questão: Quem é Deus[1]? Quais são os seus atributos. Num mundo de liberdades confeccionais será que a nossa resposta satisfará ao leitor? Claro que não. Nossa proposta e propósito, aqui, é pavimentar que nós estamos falando do Deus da Bíblia e é este livro que nos dá respostas básicas para a nossa pergunta. Obviamente, não estamos falando de deus tsonga, deus islâmico, deus budista ou outro qualquer.

As perguntas acima podem parecer, no primeiro momento, desnecessárias. São interessantes, porém. O Deus da Bíblia apresenta-se como Yahweh (Javé). Deus declarou esse nome a Moisés, quando lhe falou da sarça ardente que se consumia. Deus primeiro identificou-se como o Deus que tinha compromisso de aliança com os patriarcas (Gênesis 17.1-4). Moisés, entretanto, perguntou a Deus o que deveria dizer ao povo quando este quisesse saber qual era o Nome do seu mandante. Ora, os antigos supunham que a oração só seria respondida caso o nome do destinatário fosse nomeado corretamente. Deus responde a Moisés: “EU SOU O QUE SOU”, depois abreviou para “EU SOU”. O nome Javé soa como “Eu Sou” em hebraico. E Deus, finalmente, chamou-se a si mesmo como o “SENHOR, o Deus dos vossos pais” (Êxodo 3.15-16).

Pode-se dizer que o nome de Deus da Bíblia, em todas as suas formas, proclama a realidade eterna e soberana que se auto-sustenta e se auto-determina, ou seja, o seu modo sobrenatural de existência, que a sarça ardente representou (Êxodo 3.2). A sarça que não se consumia ilustrava a própria vida inesgotável de Deus. Ao designar “Javé” como “o meu nome eternamente” (Êxodo 3.15), Deus indicou que seu povo deveria sempre pensar nele como Rei vivo, poderoso e sempre reinando, rei que a sarça ardente o mostrava ser. 

É fato que é sempre bom remontar a Gênesis para saber quem é Deus, embora toda a Bíblia revele quem é Deus. O primeiro versículo da Bíblia diz que “no princípio criou Deus os céus e a terra”. Esta declaração sintética introduz os seis dias da atividade criadora. A verdade desse versículo magnífico foi afirmada com júbilo por poetas (Salmos 102.25) e profetas (Isaías 40.21). No princípio Deus. A Bíblia sempre toma por certo a existência de Deus único e verdadeiro e desqualifica a estaca zero os outros deuses. Embora todas as coisas tenham tido um começo, Deus sempre existiu (Salmo 90.2). No princípio (João 1.1-10) ressalta a obra de Cristo na criação, inicia com a mesma expressão. 

1. Deus único
Por que devemos adorar somente a Javé, o Deus Criador e não a outros deuses? A resposta mais óbvia é que Ele é o Deus vivo e sem começo nem fim. Todas as outras coisas são, na verdade, coisas mortas, quase sempre feitas por mãos humanas (Isaías 44.6-7). Javé é o criador de todos os elementos do mundo natural que os outros deuses representam (Gênesis 1.1-31). Ele é um Espírito vivo que dá vida (João 4.24; Atos 17.24-27). Os outros deuses são apenas produto de imaginação e da criatividade do ser humano (Jeremias 10:1-16; Atos 17.29).

Assim como os outros deuses, Javé inspira temor (Gênesis 28.16-17; Êxodo 3.6), mas isso não se deve ao fato de sujeitar os humanos aos seus próprios caprichos, como, infelizmente, acontece com outros deuses ridículos e incapazes – aliás, são sem vida. Nosso temor a Deus pode ser acompanhado de confiança (Salmos 40.4; Provérbios 14.26), porque Deus respeita as alianças que faz com seu povo (Deuteronômio 7.9; 2 Timóteo 2.13). Seu favor, diferentemente de outros deuses, não depende de receber oferendas ou sacrifícios. O que Ele deseja é uma conduta que o honre (Salmo 40.7-9). Embora se pareça com outros deuses ao administrar retribuição (Deuteronômio 7.10), distingue-se por sua natureza perdoadora e por sua disposição em salvar os que nele crêm (2 Crônicas 30.9 ).


2. Outros deuses (ridículos)
Quem são os outros deuses de que a Bíblia fala? São deuses de regiões geográficas em que a revelação bíblica foi comunicada: região da Mesopotâmia, Canaã e o Egito. Os israelitas estavam rodeados de culturas saturadas de politeísmo e, com freqüência, cediam à tentação de abandonar Javé para servir a esses deuses (cf., por exemplo, Juízes 2.10-12). Abraão teve de se separar das divindades mesopotâmicas, que, em geral, eram uma manifestação de poderes cósmicos. O sol, a lua e as estrelas eram deificados e adorados. Assim, quando Abraão e seus descendentes se estabeleceram em Canaã, depararam com os deuses da agricultura, entre eles baal, o deus do trovão, e Astarote, a deusa da fertilidade (Juizes 2.13). Os israelitas também passaram muito tempo no Egito, entre deuses muitas vezes apresentados em forma de animais. A decisão de fazer um bezerro de ouro provavelmente foi um reflexo da adoração ao deus Ápis, que tinha a forma de um touro, em Mênfis (Êxodo 32.1-4). Os escritores do Novo Testamento viveram no contexto de muitas divindades greco-romanas, como podemos ver na multidão que confunde Paulo e Barnabé com deuses (Atos 14.11-15) e na introdução do sermão de Paulo em Atenas (Atos 17.22-23). 

No Nordeste, principalmente nas cidades mais interioranas é forte a idolatria. É comum entrar na casa de alguém e se deparar com uma imagem, elas fazem parte da vida religiosa comum da sociedade. 

Geralmente em cidades onde se tem uma igreja pentecostal muito forte, o evangelismo torna-se complicado. A população, literalmente, fecha as portas na cara de qualquer pessoa que se apresenta como evangélica. Isso acontece pelo forte apelo e até muitas vezes apelo ofensivo que alguns cristãos fazem. Pois ao invés de aproveitarem as oportunidades para falar de Deus, gastam tempo discutindo a cerca de tal imagem, ou da fraqueza de tal santo e tantas outras coisas que vão de encontro com as crenças que levaram séculos sendo inculcadas nas mentes e corações das pessoas. Isso é como uma injeção contra o evangelho. Por apresentarem o evangelho de forma ofensiva repelem as pessoas de se aproximarem dele

Deus chama atenção do povo diante de sua necessidade, não gasta tempo mostrando o quanto os deuses deles são fracos e como são incapazes. Podemos ver isso em todo antigo testamento. Quando trata com gentios, Ele chama a atenção para a sua superioridade. 

Ele com toda autoridade se apresenta. Apresenta-se como único e suficiente, como o maior entre todos. AquEle que pode resolver, de fato, o problema.
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[1] O termo hebraico Elohim (que significa deus ou deuses ) foi um termo originalmente usado para referenciar deus ou deuses de regiões circunvizinhas de Israel. O nome verdadeiro de Deus, e com que Ele se identifica para Moisés é EU SOU O QUE SOU (Yahweh ou Javé). Porém, Moisés, ao escrever o Pentateuco, utilizou o nome Elohim para Yahweh, como uma forma de comunicar a existência de Deus do universo e não necessariamente tribal, como eram os deuses de outros povos.

NDJERAREOU, Abel, In ADEYEMO, Tokunboh (Editor). Comentário Bíblico Africano. São Paulo. Mundo Cristão. 2010

ADEYEMO, Tokunboh (Editor). Comentário Bíblico Africano. São Paulo. Mundo Cristão. 2010

BÍBLIA de Estudo de Genebra. 1º ed. Barueri, SP.Sociedade Bíblica do Brasil. São Paulo. Cultura Cristã. 1999

BÍBLIA de Estudo NVI / Organizador geral Kenneth Barker; coorganizadores Donald Burdick... (et al.). São Paulo. Editora Vida, 2003


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