TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

11 de janeiro de 2017

17:14

Vernant afirma que “as religiões antigas não são nem menos ricas espiritualmente nem menos complexas e organizadas intelectualmente do que as de hoje” (VERNANT, 2009, p.3). Na verdade o cristianismo, hoje a maior religião do mundo, tem influência de muitas das culturas religiosas do passado, incluindo a cultura da Grécia antiga. Será que isso é verdade? Ou essa influência é de fato tão profunda?

Essa série visa compreender o sentido da piedade/ religiosidade na perspectiva grega tendo como referência inicialmente Sócrates, sob os registros de Platão, em sua obra Êutifron para, então, estabelecer de maneira breve um paralelo com o pensamento Cristão do primeiro século, analisando os manuscritos do Novo Testamento e partindo da noção da unidade de pensamentos entre os escritores.

A bibliografia para uma pesquisa deste porte é muito vasta. Os diálogos socráticos são vastos não apenas na obra platônica, mas também na obra de Xenofonte e de Aristóteles. Desta feita estamos nesse trabalho mais preocupados com o aspecto conceitual focando em especial na obra platônica Êutifron.

Já para compreendermos a perspectiva cristã, levaremos em consideração também a influência hebraica estabelecida principalmente a partir do judaísmo. O que nos leva a perceber o desenvolvimento diacrônico dos termos e analisar o conceito sistematizado no cânon do Novo Testamento.

Esse estudo se faz importante, pois a filosofia nasce no berço religioso da Grécia, o qual se constituía no âmbito público e reflexivo. Segundo Giovanni Reale “ambas as formas de religião são muito importantes para explicar o nascimento da filosofia” (REALE, 2002, p.17). Pois “só projetada neste fundo se pode avaliar a sua teoria central sobre a ideia de Bem. [Conceito de singular importância para o pensamento grego e consequentemente o pensamento ocidental]. Platão é o teólogo do mundo grego” (JAEGER, 2003, p. 873).

A religião grega é antes de tudo aquele tesouro, múltiplo e abundante, de narrativas lendárias que os autores gregos – seguidos pelos latinos – nos transmitiram, e nas quais o espírito do paganismo permaneceu suficientemente vivo para oferecer ao leitor de hoje, num mundo cristão, o meio de acesso mais seguro à compreensão do que foi o politeísmo dos antigos. (VERNANT, 2009, p.17 e 18)

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* Toda a Bibliografia estará disponível no último artigo da série