Uma fé implicante

Uma fé implicante
27 de dezembro de 2016

17:00
- Conseguir um emprego;                                                - Exercitar 3x por semana
- Planejar casamento;                                                       - Escrever devocionais pro Jovens
Estudar pra prova do TOEFL                                        - Fazer um curso de Culinária;
- Tirar Carteira de Motorista;                                           - Passar tempo com amigos antes de mudar
Liderar e investir no meu Grupo de Estudo Bíblico;

Essas são algumas das resoluções que eu coloquei no papel 2 anos atrás. Quando eu abri essa lista essa semana, o que senti foi uma mistura de sentimentos. O mais forte deles é gratidão, sentimento de missão cumprida! Casei (uhul!), trabalhei, tirei a carteira, passei tempo de qualidade com pessoas e investi em ministérios na igreja. Mas algumas coisas não saíram exatamente como eu planejei. O exercício de 3 foi pra 2 vezes por semana, a prova do TOEFL acabou ficando para o ano seguinte, pois não consegui administrar o tempo de estudo com trabalho. Ainda nessa mesma luta com o tempo, acabei deixando para última hora e não consegui mais vaga para o curso de culinária. E quando casei e mudei de cidade, levei comigo aquele gostinho de “ai, queria ter passado mais tempo com essa e aquela pessoa”. Esse tipo de frustração já aconteceu com você? Com o ano novo chegando será que vale a penas uma nova lista?

As resoluções que colocamos no papel no começo de cada ano refletem nossos sonhos e anseios, assim como realidades em nossa vida que nos incomodam e desejamos mudar. Talvez o desejo seja vencer os excessos de comida, diminuir as despesas, passar menos tempo no Facebook, ou dormir menos e exercitar mais. Aí pensamos: "Ok, então esse ano eu VOU fazer uma dieta, VOU seguir meu orçamento, VOU me inscrever na academia, vou parar de checar meu Face toda hora, vou simplesmente acordar mais cedo e ir malhar antes da faculdade! Aí as coisas vão começar a acontecer!". Só que quando paramos por aí, o que acontece? Chegamos ao final do ano e, assim como eu, vemos os planos não cumpridos e a frustração parece ser o resultado que mais uma vez nos companha. Será que não tivemos força de vontade suficiente?

Quando as resoluções acabam em uma lista de objetivos a serem cumpridos por nós, estamos atacando apenas a superfície do problema, que muitas vezes está ligado a uma raiz em nosso coração. O apóstolo Paulo lidou com esse mesmo problema. Havia atos bons que ele sinceramente desejava realizar, mas algo mais forte o impedia. Ele chama isso de “o mal que habita em mim” (Rm 7.17). 

Como pecadores, nós também lutamos com esse “mal”. É ele que, ao longo do ano, tenta falar mais alto e está sempre pronto a insinuar: “não, amanhã eu faço isso... não, só mais uma batatinha, só mais 5 minutinhos, só uma olhadinha rápida, só mais essa blusa na promoção...” Ele fica à porta, sussurrando pela fresta, pronto para entrar, e quando abrimos a porta... ele domina nossas ações. É algo muito mais forte do que as palavras escritas em nossa resolução de ano novo. São ídolos que nosso coração cultiva. Conforto, controle, aprovação, segurança... Todos esses são ídolos que podem estar ditando nossas ações ao longo do ano. Podemos ter as melhores intenções do mundo, mas nosso pecado acaba falando mais alto. Paulo fala “no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus” (Rm 7.22), “Mas o pecado, [...], produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso” (Rm 7.8), “Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio” (Rm 7.15).

Nossa esperança é que Paulo também descreve o poder que o Evangelho trouxe nessa luta. Jesus Cristo condenou o pecado na carne, e é o único capaz de nos libertar. “Nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado” (Rm 6.6). Isso significa que em Cristo encontramos o que precisamos para finalmente dizer “NÃO”, quando é preciso dizer não! ”Por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.2).

Atacar os sintomas de um pecado ou dar um jeitinho nas consequências não vai produzir em nós a mudança que nosso coração anseia. Não é uma questão de força de vontade, a mudança de atitude começa com uma mudança de mentalidade. Quando Paulo entendeu que sua identidade estava em Cristo, ele viu que certas atitudes não faziam mais parte de quem ele realmente era como “novo Paulo”. Ele entendeu que a vitória começa internamente, como resposta a nova vida que recebemos. É uma responsabilidade dependente. “Ofereçam seus corpos a Deus (nossa mente, nossa língua, nossas mãos...) como instrumentos de justiça” (Rm 6.13). Dependemos do agir de Deus, mas cabe a nós responder ao Seu Espírito. Assim como as resoluções são cumpridas ao longo do ano, também será sua caminhada na busca de força para realiza-las. Força que você encontra no caminhar diário com Cristo, no tempo de oração, de avaliação de pecados, de confissão, de investimento no que é eterno. Ao invés de passar mais tempo pensando: “eu não devia estar fazendo isso”, passe tempo aprendendo quem você realmente é em Cristo, assim você estará dando oportunidade ao Espirito Santo de capacitar você a agir como Ele. 

Escrever Revoluções de Ano Novo é um ótimo exercício de reconhecer áreas em nossa vida que talvez estejam fora do nosso controle. Só o poder transformador de Deus nos capacitará para uma mudança de caráter que resultará em doces frutos e conquistas a serem contados da próxima vez que checarmos nossa lista de resoluções!

Ainda no espírito de Ano Novo confira: 7 lugares que você precisa visitar antes de morrer.


por Aline Dolan

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