Uma fé implicante

Uma fé implicante
15 de dezembro de 2016

17:30

"Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos” Mateus 20:16

Jesus é muitas vezes visto como um líder, sobretudo, do ponto de vista social. Ele falava muito sobre um reino dos pobres e oprimidos. Assim como hoje em dia, na época da vida de Jesus havia uma expectativa pelo surgimento de uma liderança que salvasse o povo da opressão e da pobreza. O que você acha? Jesus tinha esse potencial para livrar os pobres e oprimidos? Ele pode ser uma inspiração para as lutas sociais de hoje? Será que ele é mais como um Che ou Gandhi?

O império romano foi um dos poderes mais duradouros que a civilização ocidental já vivenciou. Se estabeleceu fortemente após a queda do já dividido reino helenístico. Sucedendo os macedônicos no poder, o império romano também tomou consigo os domínios que tempos atrás estavam nas mãos de Alexandre. Não foi diferente com a terra dos Judeus. O povo passava novamente pela opressão, que se manifestava fortemente pela cobrança de impostos dos dominadores. O cobrador de impostos sofria forte repulsa dos Judeus.

“Jesus entrou em Jericó, e atravessava a cidade. Havia ali um homem rico chamado Zaqueu, chefe dos publicanos. Ele queria ver quem era Jesus, mas, sendo de pequena estatura, não o conseguia, por causa da multidão. Assim, correu adiante e subiu numa figueira brava para vê-lo, pois Jesus ia passar por ali. Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e lhe disse: "Zaqueu, desça depressa. Quero ficar em sua casa hoje". Então ele desceu rapidamente e o recebeu com alegria. Todo o povo viu isso e começou a se queixar: "Ele se hospedou na casa de um ‘pecador’ " Lucas 19:1-7

Não demorou muito para surgirem grupos que buscavam a libertação pela via armada. Anteriormente já havia surgido um grupo conhecido como Macabeus que lutou pela libertação da palestina do domínio Selêucida, dinastia helênica provinda da Síria. Os zelotes do tempo de Jesus eram uma espécie de continuação desses [1]. Inclusive, um dos discípulos de Jesus, Simão, era integrante desse movimento (Mt 10:4). As expectativas eram grandes, uma vez que a própria palavra de Deus apontava para a instauração de um novo reino para o seu povo.

“Quantos teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino." 2 Samuel 7:12

“Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será chamado: Senhor, Justiça Nossa” Jeremias 23:5,6

Com a vinda de Jesus, muitos podem ter pensado, “Agora, vai! Agora seremos libertos. O nosso rei chegou!”. Imagino até como seria hoje trazendo para a realidade do Brasil. Seria algo como a expectativa para se livrar da corrupção e violência que assola nosso país. 

Mas as suas expectativas logo foram frustradas. Frustradas primeiramente porque a liderança Judaica representada pelos Fariseus e Saduceus não somente era afrontada quanto ao legalismo por eles empregado, mas estes tinham medo de perder seu poder frente à crescente popularidade do nazareno, e logo começaram a tramar uma emboscada para ele.

“Então os fariseus saíram e começaram a planejar um meio de enredá-lo em suas próprias palavras. Enviaram-lhe seus discípulos juntamente com os herodianos que lhe disseram: ‘Mestre, sabemos que és íntegro e que ensinas o caminho de Deus conforme a verdade. Tu não te deixas influenciar por ninguém, porque não te prendes à aparência dos homens. Dize-nos, pois: Qual é a tua opinião? É certo pagar imposto a César ou não?’” Mateus 22:15-17

“Tendo dito essas coisas, disse Jesus aos seus discípulos: ‘Como vocês sabem, estamos a dois dias da Páscoa, e o Filho do homem será entregue para ser crucificado’. Naquela ocasião os chefes dos sacerdotes e os líderes religioso do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, cujo nome era Caifás, e juntos planejaram prender Jesus à traição e matá-lo.” Mateus 26:1-4

O segundo ponto que certamente frustrou àqueles que nutriam esperanças quanto ao reinado de Cristo foi o fato dele demonstrar pouco interesse na luta contra os romanos. Jesus demonstrou não apoiar a desobediência civil no formato do não pagamento de impostos (Mt 22:18-22) e ainda comia com os odiados publicanos, como pode ser visto no texto de Lucas 19. De revolucionário extremista Jesus não tinha nada.

Entretanto, alguns podem afirmar que Jesus era um líder pacifista. Que pregava não-violência, como se vê no evangelho de João.

“Simão Pedro, que trazia uma espada, tirou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O nome daquele servo era Malco.) Jesus, porém, ordenou a Pedro: ‘Guarde a espada! Acaso não haverei de beber o cálice que o Pai me deu? ’” João 18:10,11

Esse também não era o caso. Os discípulos de Jesus inclusive andavam armados incentivados pelo próprio Jesus, ainda que apenas para defesa própria (Lc 22:35-38). Jesus deixa bem claro que aqueles que o seguem seriam rejeitados, até mesmo dentro de casa por pregar o evangelho. A verdade levaria a um acirramento dos ânimos. 

"Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim para fazer que ‘o homem fique contra seu pai, a filha contra sua mãe, a nora contra sua sogra; os inimigos do homem serão os da sua própria família’. "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará.” Mateus 10:34-39

Que reino é esse? Reino que traz divisão e não união para selar a paz? Reino que não acaba com a opressão? Jesus mesmo responde.

“Disse Jesus: ‘O meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu Reino não é daqui’” João 18:36

O governo justo que esperamos não virá pela força de nossas mãos, o que é bastante difícil de conceber. Como pode haver um Reino que não depende das lutas e revoluções que a humanidade pode traçar, ou ainda um reino que parece pacifista, mas que destrói a paz mesmo dentro de casa? Um reino humano perfeito é impossível, visto que todos são pecadores (Rm 3:23). Mas o Reino de Jesus, que já está acontecendo (Lc 11:20), eliminará todo o mal e restaurará a natureza humana (Fp 3:21) para um relacionamento íntegro com Deus e uns com os outros. No final destruirá toda opressão, que é fruto da queda do homem, e não de um sistema econômico-político diretamente. E você? Já faz parte deste reino eterno?
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[1] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. “Foco & desenvolvimento no novo testamento”. 2ª ed. São Paulo: Hagnos, 2014, p. 26-27.

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