TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

1 de dezembro de 2016

17:30

Popularmente, há um grande apreço pela figura de Jesus e muito pouco pelo cristianismo. “Acredito em Jesus como um mestre que veio nos ensinar o amor”. Ou ainda, “Jesus é um grande mestre, assim como Gandhi, Maomé ou Chico Xavier”. Quem nunca ouviu algo do tipo “Jesus foi um mestre ou profeta, mas, definitivamente, não é maior que os outros grandes mestres religiosos”?.

É muito comum encontrar pessoas que acreditam que Jesus foi um grande mestre da moral ou mesmo um profeta, mas negam completamente sua identidade divina que está presente na bíblia mas ausente em livros de outras religiões. Mas antes de falar sobre isso, vamos definir um pouco do que seria um mestre ou profeta. 

Mestre: Professor de grande saber. O que é perito ou versado em qualquer ciência ou arte. Chefe ou iniciador de um movimento cultural.

Profeta: Palavra originária do grego que significa “aquele que proclama”. Os profetas bíblicos falavam principalmente dos males de sua época. Mas a profecia bíblica também descrevia o que aconteceria se as pessoas fizessem ou não fizessem determinadas coisas, e o que o profeta esperava para o futuro de seu povo. [1]

Para os islâmicos, por exemplo, “Jesus foi enviado ao povo de Israel para confirmar a mensagem dos profetas e mensageiros que vieram antes dele e para dar boas novas do Mensageiro que estava por vir depois dele. [...] ‘O Messias, filho de Maria, não é mais do que um mensageiro, do nível dos mensageiros que o precederam’” [2]

Já os budistas dão a seguinte definição:
“Jesus Cristo: Após receber a mensagem divina no momento do batismo e ter assumido o compromisso de expansão, tornou-se precursor do cristianismo. Já no segundo ano de peregrinação foi crucificado por Judeus politicamente fortes, que eram contra as suas pregações. Por ter pregado o bem num período que ainda fazia parte dos primeiros mil anos após o regresso de Buda ao Estado Primordial, podemos considerá-lo como um Bossatsu Transitório, ou seja, a quem ainda não cabia missão de difundir o Sutra Primordial, apenas concedido ao Bossatsu Primordial Jyougyou.”[3]

O que podemos concluir das duas citações acima? Que Jesus foi simplesmente alguém que veio pregar o amor ou reafirmar o que os profetas do passado já tinham falado. Não havia nada de especial em relação aos outros. De fato muito do que foi falado é verdade. Jesus era um mestre, como se pode ver nos textos de Lucas 4:15, em que Ele pregava nas sinagogas. Ele também era um profeta, e assim a multidão o reconhecia: “A multidão respondia: ‘Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia’” (Mt 21:11). Ele também ensinava sobre amor e perdão, “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem” (Mateus 5:43,44). Este último elemento, o amor, é especialmente adorado e muito propagado nos nossos dias, porém de forma distorcida.

Na contemporaneidade existe a noção de que qualquer afirmação exclusivista de divindade deve ser repudiada. “Jesus pode ser Deus para você, mas para mim foi apenas um mestre, um exemplo de bondade e sabedoria”, esse pensamento, supostamente pluralista, oculta na verdade um grande equívoco. A visão de que Jesus seria apenas um profeta ou mestre é bem aceita, além de parecer mais palatável. Mas essa ideia pós-moderna é o que faz com que o Jesus que elas almejam não seja o Jesus verdadeiro.

Mesmo sabendo que Ele era mesmo alguém que trazia uma boa palavra, muitas vezes de consolo, e que sempre concordava com os profetas do passado, Ele também pregou ideias não muito populares hoje em dia: julgamento (Mt 23), inferno, morrer para si mesmo (Mt 10:37-39)... Além disso pregava que era a verdade e a vida e ninguém poderia chegar ao Pai se não fosse por Ele (João 14:6). A ideia de Jesus ser mais do que um profeta ou mestre não só contradiz as religiões tradicionais e orientais, como também a religião secularista do nosso tempo.

Por fim, acreditar que Jesus era apenas um profeta é um problema de coerência, como levantado por Lewis em cristianismo Puro e Simples:

“Estou tentando impedir que alguém repita a rematada tolice dita por muitos a seu respeito: ‘Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito sua afirmação de que é Deus. Essa é a única coisa que não podemos dizer. Um homem que fosse apenas um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral. Ele seria um lunático – no mesmo grau que de alguém que pretendesse ser um ovo cozido – ou então o próprio diabo em pessoa. Faça sua escolha. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco ou algo ainda pior.” [4]

Para o nosso mundo moderno e inclusivista a ideia de que Jesus foi alguém maior que todos os outros profetas e mestres da história soa intolerante. Poderíamos até dizer que ele era um lunático. Entretanto, não podemos abraça-lo como mestre e não como Deus. Não existe um “meio termo”. 

Quem é Jesus para você? Um louco, ou um ser realmente divino? A morte dele não foi por parecer sábio, mas por dizer que era Deus.
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[1] Dicionário Online de Português, Significado de Profeta. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/profeta/> , acesso em 14 de setembro de 2016;
[2] Instituto Brasileiro de Estudos Islâmicos, Jesus Cristo no Alcorão. Disponível em: <http://www.ibeipr.com.br/ibei.php?path=jesus>, acesso em 14 de setembro de 2016;
[3] Budismo, 100 Perguntas. Disponível em: <http://www.budismo.com.br/100-perguntas.php>>, acesso em 14 de setembro de 2016;
[4] Lewis, C. S., “Cristianismo puro e simples” – 3ª ed. São Paulo- SP: WMF Martins Fontes, 2009, p.69,70.