TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

3 de novembro de 2016

02:49
O dinheiro pode ser um ídolo superficial que serve para satisfazer impulsos mais profundos. Algumas pessoas querem ter muito dinheiro, como forma de controlar o seu próprio mundo e a sua vida. Essas pessoas, geralmente, gastam pouco dinheiro e vivem deforma muito modesta. Guardam-no bem guardado e investem-no, para que se possam sentir completamente seguras no mundo. Outros querem dinheiro para aceder a círculos sociais e para se tornarem bonitos e atraentes. Essas pessoas gastam o seu dinheiro consigo mesmas de forma extravagante. Outras pessoas querem dinheiro porque este lhes dá muito poder sobre os outros. Em cada caso, o dinheiro funciona como ídolo e, no entanto, devido a vários ídolos profundos, dá origem a padrões de comportamento muito diferentes[1].

Carros, viagens, casas, joias, roupas de grife, smartphone, relógios. Ganhar na mega sena e ficar podre de rico. O quanto isso tem dominado seus pensamentos? Será que você é daqueles que vivem para trabalhar e ganhar mais dinheiro para adquirir bens ou se contenta em trabalhar de forma equilibrada? Se seus pensamentos estão circulando em torno do primeiro grupo, se você não para de falar em ostentar, em riqueza, arrisco-me a dizer que você é um avarento.

Algumas pessoas que almejam alcançar altos padrões acabam vivendo cheias de dívidas, apenas para manter o status social de possuir um bom celular, smartphone, um bom carro, uma boa casa, viajar muito, usar roupas caras, etc. Tais pessoas vivem de aparência. Tornando-se avaras para algumas coisas e esnobes para outras. Em outros casos, certos indivíduos partem para a criminalidade para sobreviver ou para enriquecer.

Mas o que é avareza?
Um desejo desordenado de ganhar e possuir riqueza; avareza; ganância ou desejo insaciável de lucro[2].

Hoje temos vários exemplos nos noticiários deste pecado. Basta observamos o mar de corrupção que está o nosso Brasil. Quando parece que já vimos todas as formas de corrupção aparece uma nova forma mirabolante de se enriquecer desonestamente. E para isso não importa classe social, cor e raça. São ricos, pobres, brancos, negros, índios e... Mas não precisa ir muito longe. Você deve conhecer alguém avarento ou pior ainda, este, de fato, pode ser você.

Quando analisamos o conceito histórico deste pecado ele se origina da palavra hebraica Mammon que significa literalmente "dinheiro". A ideia de Mammon era que a pessoa passava a se tornar gananciosa por dinheiro. Na Bíblia há citações sobre tal aspecto.

"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom". (Mt 6.24)

"Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores". (1 Tm 6.10)

O senhor Jesus trata de um coração avarento na Bíblia no momento em que sua presença transformadora é tida na vida de certo cobrador de impostos chamado Zaqueu. O incidente ocorreu em Jericó, uma cidade onde viviam metade das ordens sacerdotais. Logo estava cheia de líderes religiosos. Também era uma importante cidade comercial pelo seu local perto da fronteira com a Pérsia onde um cobrador de impostos se beneficiaria dos impostos de importação e exportação. Mas Zaqueu não era um cobrador de impostos qualquer. Ele era o chefe deles o que significava que estava especialmente bem posicionado para se enriquecer aos custos da população. Logo, se os cobradores de impostos eram odiados pelos outros judeus, mas ainda era o seu chefe.

"Por que alguém trabalharia como coletor de imposto? O que tornava sedutora para tantos a ideia de trair a família e o país, passando a viver como proscrito em sua própria sociedade? A resposta é: dinheiro[3]."

Observem estas palavras do próprio Zaqueu: “Dou agora metade que tenho para os pobres e pagarei em quatro vezes mais se defraudei alguém.” Digo que isto é espantoso pelo seguinte: a lei judaica estabeleceu 20% como uma porcentagem anual razoável que um rico piedoso deverá dar para os pobres. Zaqueu estava dando metade… 50%. E notem bem, depois de reduzir a sua riqueza pela metade, Zaqueu, daquela metade ia restituir quatro vezes aquelas pessoas que ele defraudou nos seus negócios. (Este era a restituição que a lei exigia de um ladrão – Êx 22.1).

Talvez você pense que isso está distante de nós, mas não é verdade. Procura e Mercado. Nossa sociedade se constrói sobre esses pilares. A modernidade tardia trouxe transformou vidas, relacionamentos, identidades por moedas de troca. Estamos falando não apenas de uma ganancia vinculada ao dinheiro, mas principalmente ao poder. Buscamos por poder: poder ter, ser, fazer, conquistar, aparecer... Entretanto ao invés de admitirmos a nossa idolatria ao poder criamos um autoengano dizendo nosso esforço demasiado do trabalho está ligado a uma “vida melhor”. Mas o que é uma vida melhor, viver em função do poder? Viver para poder ter dinheiro para viagens, em detrimento de tempo com amigos, família, esposa e filhos? Vida melhor significa ostentar em eventos ou em passeios caros com os amigos, em detrimento de relacionamentos profundos? Será que ter o melhor é ter dinheiro para ter um carro luxuoso, mas não ter tempo de sentar e conversar com as pessoas que você ama? Talvez você já tenha dito “só quero o melhor”, entretanto é possível que você tenha mantido um altar em seu coração.

Mas sonhar, desejar e almejar algo, não é propriamente cobiça. Todos os humanos possuem sonhos, possuem expectativas. Isso não é pecado. Mas, quando tais sonhos e desejos giram em torno do eu só trará prejuízos sérios, ao fim você terá vivido para ter, ao invés de ter para viver. Zaqueu que aceitou o convite do Senhor Jesus, ouviu as suas palavras e reconheceu que era melhor dar do que receber. O ministério de Jesus não é só um exemplo disso, mas através dele podemos desfrutar disso também. A submissão ao modelo de vida de Jesus podemos mudar os desejo egoístas por outros desejos maiores e melhores.

Jesus nos ensinou a orar por um novo tipo de desejo: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Teu nome, venha a nós o Teu reino, seja feita a Tua vontade”.  É assim que o Deus opera, implantando o desejo de santidade em nosso coração, uma cobiça santa que cresce e ofusca todos os outros desejos. Uma estratégia baseada apenas no “diga não” jamais será suficiente para mudar a direção de maneira duradoura. Somos encorajados pelas Escrituras a dizer sim – sim para o caminho do Espírito[4].

“Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim; tu és o meu amparo e o meu libertador; não te detenhas, ó Deus meu!” (Sl 40.17).

“Não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6.34).

“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4.6,7).

“Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5).

Mamom tem sido o seu Senhor? Você tem se enganado? Pense nas IMPLICAÇÕES da avareza em sua vida. Veja se você se identifica:

AVAREZA VS os outros pecados[5]

Avareza e Vaidade: A avareza já é considerada um ato egoísta, possessivo e obsessivo por algo, alguma coisa ou alguém. Quando o avarento passa a se esnobar por suas posses, ou repudiar críticas as suas atitudes, ele acaba se tornando vaidoso.

Avareza e Gula: Neste caso, algumas pessoas tendem a ter um descontrole em se apossar por alimentos, isso gera a "avareza da gula". Já conheci pessoas que tinham o hábito de esconder comida dos familiares e amigos, geralmente faziam isso com doces e bebidas alcoólicas. Em alguns casos, pessoas chegam a roubar outras para comer, mas não digo fazer isso quando se está padecendo de fome, mas fazer isso por causa de gula. 

Ganância e Inveja: A Inveja que se tem pelas posses de outra pessoa, pode servir de catalisador para o ganancioso querer superar aquela pessoa. Seja se tornando mais rico, possuindo mais casas, apartamentos, tendo mais carros, conseguindo um cargo de trabalho superior ao do outro; tendo mais autoridade, poder, etc. 

Cobiça e Luxúria: Como foi dito, a cobiça não se limita apenas a questões materiais, mas a outros aspectos, e neste caso, a cobiça por mulheres e homens, isso passa a ser chamar de promiscuidade. Ou seja, o indivíduo que possui relações com vários indivíduos visando apenas o prazer sexual, e nenhum compromisso ou preocupação com os sentimentos do outro.  

Avareza/Ganância e Ira: Os avarentos quando questionados ou confrontados, podem se irar facilmente, pois se sentem ameaçados, encurralados, pois em alguns casos não se reconhecem como estando errados. Por sua vez, a ganância pode levar o indivíduo que almeja conquistar algo, usar a força, violência, trapaça, dissimulação, etc., como forma de conquistar seu objetivo de se apoderar daquilo que cobiça. 





[1]KELLER, Timothy. Deuses Falsos. Thomas Nelson Brasil.
[2] O Webster'sDictionary 1828 - Online Edition. http://webstersdictionary1828.com/Dictionary/avarice
[3]KELLER, Timothy. Deuses Falsos. Thomas Nelson Brasil. Página 64.
[4] http://conselhobiblico.com/2015/11/03/substituir-desejo/