TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

6 de outubro de 2016

03:05
Como seres humanos observadores, percebemos acuradamente que pessoas caídas e sob maldição são impulsionadas a procurar estabilidade, amor, aceitação e a formação, e que nos voltamos aos ídolos vazios à procura dessas bênçãos[1].

Domingo à noite, aconteceu uma situação comigo e meu esposo. Uma situação tão pequena se transformou numa discussão.
Ele se chateou, chutou o balde com roupa suja e eu me chateei na hora e revidei com palavras de ira. Quando ele disse: retire-se do quarto, me subiu mais a raiva e respirei fundo e mesmo não querendo sai, mas minha vontade era falar, falar e falar. Não sou perfeita né gente, fora do quarto bati o pé, e fiquei esbravejando do lado de fora e fui para o quarto da minha filha me embalar na rede, ali pude me acalmar e refletir um pouco[2].

Isso é uma típica história de ira. Quem não tem uma história de ira? Os homens se iram pelos mais diversos motivos, mas geralmente é algo que lhe irrita, lhe aflige, lhe frustra, lhe ameaça, lhe mágoa, lhe machuca, etc. Uma pessoa pode se irar porque foi xingada, porque bateram no seu carro; porque foi roubada; porque perdeu um jogo; pode se irar porque falhou; por inveja, por ciúmes, por traição, etc. Os motivos que levam o ser humano a se irritar e acabar ficando com raiva são muitos. A ira “surge de desejos e prazeres entrincheirados que ‘guerreiam’ dentro de nós[3]”. Ela em si não é um ídolo, mas pode ser uma reação à adoração a um falso deus. Quando temos uma adoração centrada em Deus temos reações de autocontrole, serenidade, paz, respeito, calma, amor; o que se opõe a Ira.
Às vezes o autoengano e a vontade de satisfazer os nossos desejos (adoração a algum ídolo) são tantos que pedimos erroneamente a Deus. Nós pedimos a Ele o que queremos. Mas quando Ele não responde, nós nos iramos contra Ele. Ainda nos fazemos de vítima: - Oh Deus porque eu, porque só eu não sou atendido. Tiago nos ajuda nisso. “Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm, porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres” (Tg 4.2,3).

Robert Jones define ira da seguinte maneira: nossa ira é nossa resposta ativa e integral de juízo moral negativo contra um mal por nós percebido[4]. O Próprio Senhor Jesus se irou quando os fariseus se recusaram a responder às perguntas, "irado, olhou para os que estavam à sua volta e, profundamente entristecido por causa dos seus corações endurecidos..." (Mc 3:5). A Palavra também nos ensina: irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira (Ef 4.26). Logo, a questão aqui não é o fato de se irar, mas se a ira tem uma fonte genuína de motivação. Como resultado da queda, somos capazes de alimentar no coração e expressar uma ira pecaminosa, fruto da carne (Gl. 5.19-20; Cl. 3.8), uma ira do homem (Tg 1.20).

Então, quando você sentir ira a primeira atitude a ser tomada é a de se perguntar: a minha ira é justa? Como saber isso? Aqui vão alguns conselhos para você julgar a sua atitude:
● A sua ira reage contra o pecado real?
● A sua ira tem seu foco em Deus e Seu reino, Seus direitos e preocupações, não em mim, no meu reino, meus direitos e minhas preocupações?
● A sua ira é acompanhada por outras qualidades piedosas e se expressa de maneiras piedosas?

Assim você terá um bom indício se a sua ira é motivada por uma adoração a Deus ou a um ídolo instaurado em seu coração. Vamos supor uma pessoa cujo ídolo é o dinheiro, o pecado da avareza. Vamos nos lembrar de Zaqueu. Se em lugar da sua boa reação ele ficasse incomodado, porque o barato dele continuar a adquirir dinheiro ilicitamente foi confrontado pela presença do Senhor, ficando ele muito irado: - como assim? E agora? Como vou fazer para continuar me dando bem? Aquele estraga prazeres “fariseu”. “Eu, um homem rico e importante, ter que reconhecer minhas falhas perante um carpinteiro?” E começasse a falar mal de Jesus ou agir rispidamente descontando na população. Ele expressaria ira porque o seu reino de roubo e dinheiro foi ameaçado. Assim pode acontecer conosco quando minha forma de expressar (adorar) o meu ídolo é ameaçada. Isso acontece principalmente quando o nosso ego (vaidade) é atacado. “Mas quem ele pense que é para falar assim comigo?” “Ela não tem o direito”. “Esse é o meu direito”.  “Ele me deixou triste, vou me afogar no chocolate”.

A ira pecaminosa pode resultar em: uma sequência de pecados (Cl 3.8; Ef 4.31); quebra de relacionamentos, contendas (Pv 29.22, 17.14, 15.18); atitude crítica, abuso verbal, fofoca, represália; erros e ações tolas (Pv 14.17);  destruição do lar (Pv 21.19); divisão no lar (Gn 27.43-45); disciplina no ministério (Nm 20.12); homicídios (Gn. 4:5-8; 1 Sm 20.30-33); assassinato mental (Mt 5.21-22). Mas a pior de todas é o distanciamento do nosso Deus (Ef 4.30-31)[5].

A ilustração inicial, por exemplo, não temos informações suficientes, mas as reações sabemos: chutar o balde e retaliar com palavras. Isto expressa o que está naqueles corações e que muitas vezes está no nosso: ira pecaminosa. Mas aqui vão quatro conselhos[6] para ajudar a vencer a ira pecaminosa:
1. AVALIE. Diante desta situação estou agindo com estultícia (Pv 12.16a; Ec 7.9) ou com sabedoria (Pv 29.8)?
2. ADMITA honestamente aquilo que está em desacordo com a Palavra de Deus.
3. ARREPENDA-SE, reconhecendo a ira pecaminosa por aquilo que de fato é: pecado.
Confesse a Deus e busque auxílio nEle para produzir fruto de arrependimento.
4. ATUE em obediência a Deus, voltando a sua energia para a solução do problema.

Mas o fim da história inicial foi a seguinte: “Então percebi que não poderia deixar Satanás roubar a nossa paz e engoli meu orgulho e fui pedir perdão ao meu esposo pelas minhas palavras e minha reação. Entrei no quarto e fiquei rodeando sem falar nada, ele levantou os olhos e mesmo sem jeito pedi perdão e disse que não queria ficar com uma parede entre nós e que não queria ficar sem falar.[7]”.

Quais os motivos que tem levado você a se irar? Sua ira é justa, santa? Ore pedindo a ajuda de Deus para depender da Sua graça transformadora (Hb 4.16). Pense nessas IMPLICAÇÕES. Canalize sua ira contra o pecado. Até a próxima.

Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
Ef 4.31, 32

IRA VS os outros pecados[8]

Ira e Gula: A Gula pode levar a Ira através da embriaguez. O estado da embriaguez afeta as pessoas de diferentes formas: umas se tornam mais alegres, risonhas; outras ficam caladas, tristes; outras ficam sonolentas, com dor de cabeça; outras ficam tontas, desorientadas; mas, em alguns casos, alguns acabam ficando agressivos, perdem a paciência facilmente, irritam-se por questões simples e banais, e isso os leva a se enfurecerem. 

Ira e Ganância/Avareza: Os avarentos quando questionados ou confrontados, podem se irar facilmente, pois se sentem ameaçados, encurralados, pois em alguns casos não se reconhecem como estando errados. Por sua vez, a ganância pode levar o indivíduo que almeja conquistar algo, usar a força, violência, trapaça, dissimulação, etc., como forma de conquistar seu objetivo de se apoderar daquilo que cobiça. 

Ira e Luxúria: A Ira surge com a Luxúria de duas formas: a primeira, quando alguém é traído e evidentemente se chateia e se revolta pela traição, embora que dependendo do indivíduo essa ira poderá ser mais intensa ou não, no que às vezes leva até mesmo a violência ou o assassinato. A segunda forma vem do abuso, quando uma pessoa luxuriosa ou movida pela luxúria acaba violentando alguém. O estupro, pedofilia, corrupção de menores, são tipos de luxúria associado a ira. No caso da pedofilia e da corrupção de menores, mesmo que não aja violência física, pode haver violência psicológica, sob a forma de ameaças. Isso leva a vítima a ficar calada, temendo a ameaça, e até mesmo a mentir. 

Ira e Inveja: A inveja pode levar a Ira. No Antigo Testamento temos o caso dos irmãos Caim e Abel, o caso de José que foi largado por seus irmãos dentro de um buraco, deixado para morrer. Temos o caso da inveja do rei Saul contra Davi, onde Saul tentou matar Davi. E outros episódios que contam como a Inveja se tornou Ira. E tal aspecto é bem real. Existem pessoas que invejam tanto, que passam a nutrir um ódio e até a desejar ou fazer o mal contra o invejado ou invejados. 

Ira e Vaidade: Em alguns casos quando os soberbos tem seu orgulho afrontado ou "ferido", eles reagem com fúria, com violência, eles se iram. Alguns não se iram no momento, mas passam a nutrir ódio e planejar uma vingança. Alguns soberbos até mesmo agem com agressão (não precisa ser necessariamente física) contra outras pessoas, através da descriminação, preconceito, palavras, etc.





[1]POWLISON, David. Ídolos do coração e Feira das Vaidades. Refúgio, SP. Página 8.
[2]http://www.itacosta.com.br/2016/01/testemunho-sobre-ira.html#.VtxMpZwrLIV
[3] JONES, Robert. Ira: arrancando o mal pela raiz. Nutra. Página 59.
[4]JONES, Robert.Idem. Página 19.
[5]Baseado na apostila de ética do SBPV.
[6]Idem.
[7]http://www.itacosta.com.br/2016/01/testemunho-sobre-ira.html#.VtxMpZwrLIV