TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

15 de setembro de 2016

17:00
Já pensou viver em um mundo onde houvesse menos vaidade e mais humildade, menos avareza e mais generosidade, menos inveja e mais caridade, menos ira e mais mansidão, menos libidinagem e mais pureza? Parece mentira, utopia não é? Mas é esse o padrão de Deus que a muito foi deixado de lado por nós homens para vivermos nosso padrão baixo e deturpado, que é viver para o regozijo e felicidade.

Toda a bíblia, em sua progressão, nos alerta sobre a quem devemos adorar mostrando claramente a posição que Deus deve ocupar em nosso coração para que assim possamos viver a verdadeira felicidade:
Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. Êxodo 20:3-5.
Em 1João 5:21 encontramos um carinhoso e importante alerta: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.”

Parece uma realidade distante. Mas basta olharmos para o mundo, para o nosso país, nossa cidade, nossa casa,  para nós mesmos. Aos poucos fomos substituindo Deus por ídolos, objetos de desejo ou alguém.

Ídolos do coração, metáfora que mostra como a adoração de ídolos tangíveis é, perigosamente, a expressão de um coração que negará a Deus. David Powlison diz que o Novo Testamento junta o conceito de idolatria e o conceito de desejos desordenados que regem a vida. A Idolatria torna-se um problema do coração, uma metáfora para a luxúria humana, para a demanda da nossa vontade, da ânsia e da ganância[1].

João revela-nos a existência de três concupiscências/desejos como fonte de todos os pecados: "Tudo o que está no mundo é concupiscência da carne, ou concupiscência dos olhos, ou orgulho da vida" (1 João 2.16). Diz ainda Powlison que o caráter interno da motivação é demonstrado na expressão "concupiscência da carne": nosso movimento de inércia "centrado em nós mesmos", vontades, esperanças, medos, expectações, "necessidades" que abarrotam nossos corações[2].

Assim temos que:
Da concupiscência da carne nascem: a gula, a luxúria e a preguiça. Da concupiscência dos olhos nasce: a avareza. Do orgulho da vida nascem: o amor da vã glória (vaidade), a inveja e a cólera.
Assim vaidade (soberba), avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça tem se desenvolvido fortemente a cada dia. Você tem se apercebido disso? Esses nãoo os únicos pecados, mas convenhamos que eles aparentam dar start a outros.

A doutrina dos pecados capitais é fruto do empenho de organizar a experiência antropológica cujas origens remontam a João Cassiano e Gregório Magno. Os dois tratam de fazer uma tomografia da alma humana e surge a doutrina dos pecados capitais, que encontra sua máxima profundidade e forma acabada no tratamento que lhe dá Tomás. Os sete pecados capitais denominam-se dessa forma por originarem outros pecados[3].

S. Tomás começa - De Malo, 8, 1 – diz que o pecado capital, pecado "capitão", impõe uma cadeia de motivações. Assim por exemplo, à avareza estão subordinadas a fraude e o engano. A análise dessa ordo de fins estabelece sete linhas fundamentais de causalidade: os sete vícios capitais[4].

Alguns vão dá uma importância a esses pecados como se fossem pecados sem perdão ou os mais graves, como mostra esse artigo católico:
Capital quer dizer essencial, fundamental, isto é, o mais importante, aquilo que está no centro de uma questão. Pecado capital, portando, é o pecado mais importante, o que dá fundamento a tudo que é prejudicial para nós. É chamado também de pecado hegemônico. Foi no século IV que São Gregório Magno e São João Cassiano definiram os pecados capitais em número de sete[5].

Bom, mas o meu objetivo com isso é esclarecer que esta nova série não tem a finalidade de defender esse ou aquele pecado como mais grave ou que estão em posições hegemônicas - a bíblia aponta uma relação entre pecados, mas não essa hierarquia sobre eles - também não estou afirmando que estes são pecados sem perdão. Mas quero mostrar que de fato esses sete pecados têm se desenvolvido fortemente em nosso meio e consequentemente em nossas vidas, gerando ídolos em nossos corações[6].

E para que comece bem está série quero lembrar a você de que não deve se enganar dando outro nome ao que de fato é pecado. Algo do tipo: "sou sempre verdadeiro e digo na cara", enquanto na verdade é uma desculpa para demonstrar ira descontrolada; ou ainda o orgulhoso dizer: "Não sou orgulhoso este é o meu jeito de ser, são princípios que sigo". O pior ainda é ouvir de alguns homens o seguinte: "Não tem como evitar – dar aquela olhada nas meninas ou ver pornografia – isso faz parte do homem”. Isso é pecado, isso é pecado e pode se transformar em ídolo. 


A Bíblia é simples. Qualquer um dos ídolos pode influir sobre o coração humano. Os ídolos podem reduzir-se parcialmente uns aos outros: por exemplo, um homem com problema de luxúria e pornografia pode ser ajudado ao reconhecer, com arrependimento, que essa luxúria expressa ira sobre um desejo frustrado de ser casado, desejo este nunca reconhecido como idólatra. Ídolos podem ser compostos em cima de outros ídolos. Mas a luxúria sexual tem sua existência primária válida também como ídolo. Uma compreensão bíblica do motivo da idolatria explica porque modelos baseados em necessidades parecem tão plausíveis, reformando completamente o modelo.

Convido você a embarcar nessa nova série. Vamos estudar um pouco sobre vaidade, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Devemos guardar o nosso coração, buscar esperança na Palavra de Deus e pensar nas IMPLICAÇÕES desses preceitos bíblicos para pormos em prática os ensinamentos de Deus.



[1]POWLISON, David. Ídolos do coração e Feira das Vaidades. Refúgio, SP. Página 3. Efésios 5:5 e Colossensses 3:5
[2]POWLISON, David. Ídolos do coração e Feira das Vaidades. Refúgio, SP. Página 2.
[4]http://hottopos.com/notand10/jean.htm, Acessado 06/12/15 as 14:00.
[6]Alguns desses pecados não são propriamente ídolos, mas são desenvolvidos por causa deles, por exemplo, a inveja e a ira que por causa de ídolos se manifestam.
[7]POWLISON, David. Ídolos do coração e Feira das Vaidades. Refúgio, SP. Página 9.