Uma fé implicante

Uma fé implicante
16 de agosto de 2016

11:28

Estamos vivenciando uma época em que pertencer ao narcisismo é uma grande virtude. Todavia, a minha maior tristeza é que essa realidade tem adentrado às portas das nossas igrejas, pois as mesmas se tornaram "clubes sociais", onde os seus adoradores frequentam diariamente ou semanalmente somente para ouvir palestras motivacionais que proporcionem lazer de qualidade para os seus filhos; onde os relacionamentos não são mais considerados prioridade de vida. Engana-se  aquele que pensa que esta é uma realidade vivenciada apenas por jovens e adolescentes aprisionados pelas redes sociais, pois na realidade isso tem a ver com você, que há muito tempo não priorizou o seu tempo construindo um altar de edificação com seus "irmãos". 

Seu relacionamento com Deus é produtivamente proporcional ao seu relacionamento com as pessoas da sua comunidade cristã e vice-versa. Ser igreja de Cristo é a melhor maneira de tratarmos o narcisismo em nossas vidas. Sob a base de Efésios 4.22-24 sugiro que retire o narcisismo que há em seu coração, mude sua mente pensando de maneira moderada acerca de você mesmo (Rm 12.3) e revista-se da unidade do espírito. 

"Esforçando-se para manter a unidade do Espírito por intermédio  do laço da paz" Efésios 4.3.

Esforçar-se

Paulo revela que seu foco está na unidade da igreja. 
Quando os cristãos evidenciam em seus relacionamentos as quatro virtudes apresentadas no versículo 2 (toda humildade e mansidão, com longanimidade, sustentando uns aos outros com amor) os mesmos contribuem para que haja a verdadeira manutenção da unidade do Espírito por intermédio do laço da paz.

O ato de esforça-se, demonstra uma ação contínua, que ocorre mutuamente no exercício da humildade, mansidão, paciência e tolerância. 

Paulo deixa transparecer em seu vocabulário que a manutenção da unidade entre irmãos não é algo simples, pois não ocorre naturalmente; antes se faz necessário uma atividade pessoal de esforço e perseverança (diligência) para conseguir manter a unidade. Portanto, a unidade do espírito é a disposição para se pensar como o outro pensa.


O narcisismo rejeita o diferente, mas a vida em comunidade ensina-nos a tolerância.


Manter a unidade do Espírito

Ao usar as palavras preservar e manter Paulo estava falando de uma unidade de pensamento entre os irmãos, embora também dissesse respeito à unidade com a qual o Espírito Santo uniu os cristãos (1 Coríntios 12.13). A unidade espiritual é independente, pois não depende dos nossos relacionamentos interpessoais, quer queiram, quer não queiram; quer gostem, ou não. Os cristãos são um, pois estão totalmente interligados ao Espírito de Deus. Mas o desejo de Deus é que os cristãos vivam na prática da unidade espiritual que receberam em sua conversão.

O capítulo 2 de Filipenses foca na união da igreja. No versículo 2 Paulo diz: "completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude".  Esse trecho poderia ser tranquilamente intitulado como a unidade do espírito no corpo de Cristo, pois, a unidade de espírito nada mais é que a atitude de permanecer unido como membros de um só corpo, servindo a um só Senhor (argumento que virá nos vs.4-6). Mesmo diante das tensões que surgem ao longo dos nossos relacionamentos intergrupais e interindividuais.


O Narcisismo olha para as diferenças marginais, porém a vida em comunidade, olha para a igualdade central.


Viver pelo laço da paz

A ferramenta que tornará a unidade do espírito possível é: 

- O uso do vínculo da paz. 

A paz é o vínculo que cria a unidade. “Temos de viver em paz, caso queiramos que o espírito de bondade permaneça entre nós”, explica Calvino. A unidade jamais deve ser buscada através de lutas e guerras entre os irmãos, mas sempre de maneira pacífica.

Por que devo me esforçar para amar aquele irmão que tanto me incomoda? Por que devo ser um com aqueles que não são iguais a mim? Por que devo me importar com quem pensa tão diferente de mim? O real problema adquirido ao se formular ou apenas questionar uma dessas perguntas, acontece pelo simples fato de que ambas  estão carregadas de EU. 

Os conflitos acontecem porque tenho sobre mim uma consciência mais elevada do que me convém (Rm 12.3).


O narcismo sustenta as contendas gerando divisão, mas vida em comunidade escolhe perder promovendo restauração.

A vida em Cristo me integra em algo maior, pois me encaixo em um corpo que tem um propósito e que se fortalece no poder do Espírito de Deus. Portanto, não vivo por mim, mas por Cristo! Não vivo por mim, mas em função do corpo do qual faço parte. Difícil? Nobody said it would be easy... (Ninguém disse que seria fácil); Mas as dificuldades serão vencidas pelo poder eficaz de Deus em sua vida, apenas lute, pois Ele ganhará a batalha (Cl 1.29).

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