Uma fé implicante

Uma fé implicante
4 de agosto de 2016

17:00
A primeira perseguição contra a Igreja deu-se no ano 67 d.C, sob o domínio de Nero, o sexto imperador de Roma. Nero desenvolveu requintes para as suas crueldades, e inventou castigos que só a mais infernal imaginação poderia conceber. Em particular, fez com que alguns fossem costurados em peles de animais selvagens e lançados aos cães para serem destroçados. Outros, com as vestes encharcadas de cera inflamável, foram atados aos postes de seu jardim particular, onde lhes atearam fogo para que ardessem como tochas de iluminação. A perseguição generalizou-se por todo o império romano. 

Nos tempos atuais estima-se que 80% da discriminação religiosa que acontece atualmente no mundo é voltada contra os cristãos¹. Você já parou para pensar: - “e se fosse no Brasil?” ou: - “e se fosse comigo?” Como você reagiria? O Senhor Jesus já deu a Sua orientação: “exultai e ficai-vos cheios de alegria, porque grande é o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que houve antes de vós”.

Os discípulos de Jesus seriam perseguidos e este sofrimento está bem descriminado: a possibilidade de serem submetidos a violência, perseguição e a todo tipo de calúnia. O ódio que viria sobre Jesus passaria para eles. Bonhoeffer diz que claramente o mundo se vingaria nestes estranhos mansos, com palavras, com violência e difamação. A voz desses humildes e mansos é muito ameaçadora e seu sofrimento é por demais paciente e silencioso². Logo não são os discípulos os verdadeiros perseguidos, mas Cristo neles, a justiça de Deus testemunhada na vida de cada um deles. 

Esta perseguição não é apenas por motivos puramente sociais, raciais, econômicos ou politicamente motivados “pela justiça”. “Em virtude de os homens referidos desejarem estar em harmonia com Deus e viver em sintonia com a santa vontade de Deus é que sofrem a perseguição e se mantêm firmes sem se importar com o que lhes venha a acontecer”*. Logo eles sofrem por sustentarem os padrões divinos de verdade, justiça e pureza, recusando-se a ajustar-se ao paganismo ou acurvar-se perante os ídolos que os homens erguem como substituto de Deus.

Então qual seria a atitude de um discípulo ao saber e ao passar por isso? Prazer e alegria, que mesmo em meio à perseguição caracteriza o cidadão do reino dos céus.

Mateus expressa estas atitudes com os seguintes verbos: “χαίρετε, ἀγαλλιᾶσθε”. O primeiro verbo significa regozijar-se, alegrar-se, estar contente. O segundo verbo é composto por duas palavras gregas que significam literalmente “saltar excessivamente”. A reação à perseguição é a alegria incontida. MacArthur ainda diz que a palavra grega traduzida para o primeiro verbo significa "ser muito feliz". Mais do que isso, estar e ser "extremamente feliz". E o segundo significa "a saltar, pular e gritar de alegria”³. Logo, ao ser perseguido o discípulo deve enfrentar a situação com profunda alegria e não entrar em uma autocomiseração desenfreada e descabida. 

Ainda aqui existe a questão da identificação. Se o discípulo é semelhante a Cristo ele também será rejeitado pelo mundo e perseguido. Ter o atestado de que o mundo reconhece que o discípulo é semelhante a Cristo e diferente do mundo é motivo de grande alegria. Em Lucas 21.12-13, Cristo diz que os incrédulos "porão as mãos sobre você, e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, sendo levados diante de reis e governadores, por causa do meu nome. Isso vos acontecerá para pôr um testemunho".

A questão maior não é se eu serei perseguido, mas, se pelos motivos corretos, em qualquer instância, estou sendo perseguido e como estou reagindo a esta perseguição. Pode ser uma perseguição em casa, na rua, na faculdade ou no emprego. Verbal ou não. Física ou não. Para não haver essa perseguição cuidado, talvez você esteja se amoldando a este mundo. Quando forem perseguidos por causa de Cristo, é um testemunho de que, você, o discípulo, pertence a Deus.


* O tempo e o modo verbal de “δεδιωγμενοι” sugere a seguinte tradução: eles têm-se sustentado sob perseguição. 
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1. http://www.aleteia.org/pt/religiao/artigo/cristaos-perseguidos-no-seculo-xxi-numeros-estarrecedores-5806207847628800 
2. BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. São Leopoldo, RS: Sinodal, 1980. p. 63. 
3. MACARTHUR, John. Beatitudes. Disponível em: http://www.gty.org/resources/study-guides/40-5201/the-beatitudes. Acessado em 15 Mar 2013 as 10:02. 

Por André Reis

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