Uma fé implicante

Uma fé implicante
9 de agosto de 2016

17:00


A vida é um presente precioso de Deus. Mesmo aqueles que O negam não querem abrir mão desta dádiva. Experimentar e desfrutar da vida são os anseios humanos mais cobiçados. Mas até onde eu posso insistir na vida? Será que muitas vezes não é melhor simplesmente abrir mão ao invés de sofrer ou levar outros a sofrer? Do que vale uma vida em estado vegetativo que não existe mais escolha ou desfrute dela? Não é melhor dar um fim na gravidez indesejada, antes que se torne um problema pior lá na frente? O que a bíblia fala sobre isso?


O Homem sem nome


Com o anseio de prolongar a sua vida um doutor da lei chega até Jesus em Lucas capítulo dez e lhe pergunta acerca da vida eterna. Diante desse anseio e em uma rápida conversa um axioma é apresentado: Amar teu próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas v.25-29. 

Sobre esse axioma Jesus lança os fundamentos para construção de uma bioética através de uma das parábolas mais conhecidas, o Bom Samaritano.

Um homem jogado na estrada que acabara de ser roubado e espancado. Era um desconhecido, um homem sem nome v.30. Alguns por ele passaram perceberam isso. A vida daquele homem não pareceu à eles tão valiosa a ponto de arriscarem a sua vida ou propriedades v.31-32. Entretanto alguém viu além do homem sem nome, viu uma vida. Uma vida que em seu curso natural se findaria logo. Entretanto o samaritano não avaliou a qualidade de vida biológica e pessoal ele apenas viu que ele estava ainda meio morto v.30b e por isso se encheu de compaixão v.33. 

Do profundo do seu coração sentiu um aperto, uma necessidade/obrigação em ajudá-lo. Não por quem ele era, ele permanecia sem nome, sem controle, sem opinião. Mas isso não fez com que sua vida fosse abreviada ou ignorada.

O samaritano então se aproximou, atou-lhe as feridas, deitou-lhe azeite e vinho. Ele utilizou de todos os recursos que dispunha para preservar a vida de alguém que nem se quer sabia se queria viver. Isso não importava, essa decisão não estava em suas mãos.

O que Cristo queria ensinar é que viver não está ligado com o eu. Mas que a verdadeira vida se conquista quando me ofereço primeiramente a Deus e ao próximo. Essa é a leitura ética cristã desse episódio.

Apesar da subjetividade apresentada pela proposta da Qualidade de vida, não existe uma semi-vida ou semi-morte. Quando a vida começa, seja ela biológica ou pessoal é uma vida a ser cuida, e essa só termina quando o corpo e a alma dão seu último suspiro.

A Lei de Deus (v.26) nos conduz ao propósito de glorificá-lo, o caminho padrão. Glorificá-lo implica em consultá-lo, pois é a partir disto que Sua imagem é formada não apenas em nossas vidas, mas em cada ação e decisão que tomamos. Ela também nos leva a viver neste caminho em detrimento do outro. Meu próximo não é aquele que me faz algo, mas a quem eu devo servir v.36-37. Isso constituiria talvez o conceito de qualidade de vida, a qualidade de vida é poder ser servido por outro, proporcionar qualidade de vida é servir com todos os meus recursos.

Estaria então a vida acima do homem, sim o homem foi criado depois dela, para servi-la. Afinal, Deus é a própria vida (João 5.26) e esse desejo de vivermos mais só nos mostra a nossa necessidade dEle.

Gênesis 3.3-5 conjuga desde a criação o conhecimento e responsabilidade. Então aplicando esses princípios à bioética o aborto e a eutanásia se tornam absurdos que nem sequer devem ser considerados pois a luta do Cristão é em favor a vida. Os avanços da medicina e biotecnologia devem ser explorados como recursos a serem utilizados com esse objetivo. 

Morrer com dignidade é viver para Cristo. Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém (Romanos 11.36).



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