TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

29 de agosto de 2016

17:00

Restando apenas alguns meses para mudar-me para um País, me pego pensando se ainda vale a pena investir em amizades na cidade onde moro.
 Logo vou estar longe, e aí? 
Mas ao mesmo tempo, sinto falta de  uma amiga próxima com quem eu possa sair pra tomar um café, ligar só pra contar novidades, ou que venha me visitar para um momento de oração em um dia difícil. Assim como eu, você também já deve ter experimentado os benefícios de relacionamentos significativos, o problema é que essas amizades parecem não acontecer naturalmente. Tanto para cultivar as que já temos como para investir em novos relacionamentos, cabe a nós a responsabilidade de tomar o primeiro passo e valorizar as pessoas à nossa volta.

Quando Deus nos criou à sua semelhança, Ele nos fez seres relacionais. Eu consigo  perceber facilmente isso em mim. Um exemplo bobo é o quanto me irrita conversar com alguém que eu sei que não está prestando atenção em mim. Parte da irritação talvez venha da minha inata expectativa de ser ouvida e apreciada. Algo em mim grita por ser conhecida, valorizada, compreendida – clama por relacionamentos profundos. Quando olhamos pra vida de Jesus Cristo, vemos que ele cultivou relacionamentos em todos os níveis. Desde amizades ocasionais, como com Zaqueu e Nicodemos; à amizades mais chegadas, como com Marta, Maria e Lázaro; e amizades íntimas, como com Pedro, Tiago e João. Cristo nos deu o exemplo, agora cabe a nós também cultivar relacionamentos. Mas, por quê é TÃO difícil mantê-los?

Investir em pessoas exige um sacrifício pessoal e perseverança ao longo do tempo. Muitas vezes, porém, nos encontramos tão ocupados, cansados ou sem ânimo, que não consideramos essa uma prioridade. 
Se ninguém vem até mim, por que eu deveria ir até eles? 

É mais fácil ficar onde estamos. Só que quando não compartilhamos de relacionamentos profundos e saudáveis, estamos nos colocando em uma situação perigosa. Quando não fazemos questão de amigos, acabamos nos fechando em nós mesmas. Seja substituindo companhias reais por hábitos fáceis como TV e internet, ou levadas pela mentira de que não pertencemos a lugar nenhum ou que não há nada de valor em nós para ser compartilhado. Além disso, quem se isola revela interesses egoístas (Pv 18.1), e um coração centrado em si mesmo, cheio de temor a homens. Essas reações são como máscara para nosso anseio por intimidade, alívio momentâneo para nossa dor, mas que nos afastam cada vez mais de obter o que realmente precisamos – relacionamentos significativos que nos levem para mais perto de Deus.

É verdade que nem todos os possíveis amigos que encontramos em nosso caminho se desenvolverão de igual forma e alcançarão a mesma profundidade, mas quando desfrutamos de um relacionamento com Deus. Devemos suportar possíveis rejeições, pois serão com elas que iremos  aprender a lidar com a dor. Quem não se arrisca a se expor a outros perde oportunidades de viver experiências significativas e de trazer a tona áreas da vida que Deus quer atingir. O bom amigo provoca melhoras no caráter do seu companheiro (Pv. 13.26; 27.17). Mas sem vulnerabilidade não há espaço pra crescimento.

Nossa esperança é que é possível começar novos hábitos de relacionamentos! O ponto de partida é o Seu relacionamento pessoal com Cristo. Em Cristo Jesus, pelo resgate na cruz, Deus provou Seu amor para conosco e nos capacitou para amar à sua semelhança (1 Jo 4.10,19). A esperança de desenvolver amizades saudáveis ou de ser tornar um amigo melhor não se baseia em sua capacidade pessoal, mas na graça de Deus. 
Cultivar sua amizade com Cristo é a melhor forma de encontrar intimidade e sensação de completude que nossa alma tanto anseia. 

Eu também percebo que preciso de ajuda para superar minha indiferença e me engajar mais nos relacionamentos à minha volta. Ir até as pessoas, aprofundar mais as conversar, se interessar, fazer perguntas, ser a primeira a compartilhar. Senhor, ajuda-me a sair da minha zona de conforto. Não cabe a mim definir o futuro dos meus relacionamentos (se vou mudar de país e não ter contato, ou se a pessoa não responder como eu esperava, etc.) mas, é minha responsabilidade me dispor e criar oportunidades para que Deus use pessoas para moldar meu próprio relacionamento com ele seja da forma como ele quiser.

Destarte, as amizades cristãs estão escondidas nas pessoas que Deus soberanamente decidiu colocar em seu percurso. Como um tesouro a ser encontrado, cabe a nós explorar as possibilidades e darmos o primeiro passo para desenvolver um relacionamento.

por Aline Dolan