Uma fé implicante

Uma fé implicante
29 de julho de 2016

17:00


Se você tem acompanhado esta série desde o início, você já deve conhecer um pouco de como penso no relacionamento entre o Rei (Jesus) e seus súditos (o povo eleito) e estes últimos dias, para mim, têm sido uma demonstração de como eu, enquanto súdito, de fato pratico muito do que acredito e escrevo, se não dêem uma conferida aqui. Então orem por mim para que a cada dia desenvolva minha salvação e demostre características de um filho de Deus.

Há muitas coisas que as pessoas se esforçam para ter. Muitas das vezes movidos à ambição egoísta. Por ambição no seu sentido negativo denota um desejo incontrolável para autossatisfação (“eu preciso de...”) como diriam os Titãs: “A gente não quer só comida a gente quer bebida diversão, balé. A gente não quer só comida a gente quer a vida como a vida quer”. As pessoas não salvas têm ambições. Elas têm fome e sede de felicidade, mas procuraram por ela nos lugares errados. É só imaginar quantos não destruíram outras pessoas para atingirem seus objetivos; quantos trocaram a família por um trabalho que dê mais dinheiro; quantos deixaram de pagar seus impostos. Nada disso é necessidade básica. 

Fome e sede são necessidades básicas do ser humano. Algo que se um homem deixar de fazer ele vai morrer. Quem tem fome e sede ainda quer e precisa ser saciado. E sabendo que estas são necessidades Jesus faz uso delas. A primeira pode ser traduzida como estar faminto[1] e a segunda como sofrer de sede ou ansiar por algo[2]. Fome e sede expressam desejo, forte desejo[3].

Mas que necessidade básica é esta sem a qual o súdito não pode viver? JUSTIÇA. Justiça é usada no sentido de seguir os preceitos da lei, assim o discípulo tem um comportamento que agrada a Deus, pois Cristo, que é justo (Mt 27.19, 24), o conduziu ao arrependimento (Mt 4.17). A verdadeira justiça não é feita para seu próprio bem. É feita pelo amor de Jesus ("sem mim nada podeis fazer", João 15.5) para a honra dEle. É esse apego a Jesus que dá a justiça seu caráter distinto[4].

Esta justiça envolve o caráter forense, mas também o ético, pois é impossível que uma pessoa justificada possa viver sem praticar boas obras. Toda injustiça afligi-a e a faz sentir nostalgia pelo novo céu e nova terra. Assim, a obediência que deveria ser cumprida pelos discípulos de Jesus é o sentido básico da palavra justiça. Ela descreve assim o modo de viver de acordo com vontade de Deus. Embora esta justiça descreva um comportamento, é uma expressão de capacitação graciosa de Deus, pois Ele é o único que torna possível esta justiça real.

Para o súdito do Rei Jesus assim como o alimento e água são necessidades físicas, a justiça é uma necessidade espiritual. Sem justiça não há vida e por ela devemos estar famintos e sedentos. Nossa verdadeira ambição deve ser por praticar a Palavra de Deus. Logo, Cristo sacia plenamente toda a fome e sede. Sendo assim, quando você se deparar com alguém que precisa MUITO de um iphone, carro, felicidade as lembre de que só o Senhor Jesus sacia o que de fato é necessário: Justiça. E você? Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?

Qualquer coisa pode me escrever no e-mail pessoal: semprecomdeus@hotmail.com.



[1] GINGRICH, F. Wilbur. Léxico do Novo Testamento Grego/Português. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1993. p. 162.
[2] Idem.
[3] Sl 42.2; cf. 63.1; Am 8.11-14
[4] PIPER, John. As bem-aventuranças. Disponível em: <http://thegospelcoalition.org/resources/category/sermons/a/series/the_beatitudes/&author=John+Piper>. Acesso em : 15 Mar 2013 09:03..





André Reis trabalha com capelania escolar e projetos educacionais. Formado pelo Palavra da Vida e envolvido com a Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos.

andrereis@implicacoes.com

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