TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

26 de julho de 2016

17:00
Com tantos livros de autoajuda disponíveis, o assunto em voga numa sociedade hedonista não poderia ser outro se não como ser feliz. Filósofos como John Locke e Leibniz, na virada dos séculos 17 e 18, identificaram a felicidade com o prazer, um “prazer duradouro”. Algumas décadas depois, o filósofo iluminista Immanuel Kant, na obra “Crítica da razão prática” definiu a felicidade como “a condição do ser racional no mundo, para quem, ao longo da vida, tudo acontece de acordo com o seu desejo e vontade”. Ser feliz não é o problema, mas o entendimento sobre essa tal felicidade. 

Na bíblia “Bem-aventurados” pode ser traduzido ainda como felizes, abençoados, privilegiados e invejáveis. Os ouvintes do Senhor Jesus entendiam o significado desta palavra baseado principalmente nos Salmos que tratam de assuntos sapienciais e declaram bem-aventurado o homem que confia em Deus. A conexão entre a felicidade religiosa que consiste no favor de Deus e a felicidade terrestre através dos dons do Criador é básica nesta literatura. 

Mas tendo em vista conceitos introduzidos como os citados acima, concordo com a observação de D. A. Carson quando ele defende que quanto ao termo “feliz”, ele não é o melhor para as bem-aventuranças tendo a palavra sido desvalorizada no uso moderno. 

Analisando também passagens paralelas sobre esta palavra, pode-se concluir que nas bem-aventuranças destacam-se quatro orientações fundamentais: descrevem uma felicidade que tem a sua fonte em Jesus; esta felicidade está relacionada à participação de um reino escatológico – uma felicidade já presente, mas que chegará a uma manifestação definitiva num reino futuro; esta felicidade está declarada por Jesus aos que o escutam apesar das duras situações; é uma felicidade paradoxal. 
Que expressão bendita que traz esperança: bem-aventurado. A esperança é um grande tema na bíblia e muito importante no processo de mudança do cristão. Quando se estuda os princípios básicos o aconselhamento bíblico, é observado que o “dar esperança” se encontra aí presente. Logo quando você for dar esperança a alguém não busque conceitos humanistas de como ser “extremamente feliz”, mostre o verdadeiro sentido de ser “bem-aventurado” apontando para a esperança que se encontra somente nas Escrituras, onde somente Deus tem as respostas corretas (Rm 15.4, 13).
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http://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/filosofia-e-felicidade-o-que-e-ser-feliz-segundo-os-grandes-filosofos-do-passado-e-do-presente.htm. 

CARSON, Donald A. O comentário de Mateus. São Paulo: Shedd Publicações, 2010. p. 164-167.

por André Reis