Uma fé implicante

Uma fé implicante
13 de julho de 2016

17:00

As ideias do mundo e os princípios de Deus sobre o que é a maturidade.

Se eu te perguntasse que pessoas são modelos para você, na sua igreja, por exemplo, você conseguiria me dizer alguns nomes? Pense em pessoas exemplares, em que você se inspira. Pensou? Quantas são? E qual a idade delas, mais ou menos?

Posso chutar que a pessoa em que você pensou é adulta. A maioria de nós se inspira em pessoas de meia-idade. É difícil ouvir como resposta a essa pergunta o nome de uma criança ou de um idoso, por mais crentes que eles sejam. Não sei o porquê disso (é só uma observação empírica mesmo), mas também não pretendo discorrer sobre as eventuais motivações deste fenômeno. Queria apenas que pensássemos em como nós identificamos um “adulto”.

Você se vê como uma pessoa adulta? Falta um pouco ainda? Quando saber que se ficou adulto? Acho essas perguntas interessantes, especialmente quando se fala de jovens universitários. E isso porque as respostas podem parecer um pouco óbvias, mas não são tanto assim. Pense comigo. Que critérios geralmente usamos para identificar se uma pessoa é adulta ou não? 

Idade é geralmente o primeiro. O tempo de vida é, de fato, um critério diferenciador. Independência financeira é outro, você é adulto quando fica independente dos pais. Conhecimento acumulado também é um bom. Nos sentimos um pouco adultos quando entramos na faculdade. Se a concluímos então, e alcançamos outros degraus, como pós graduação, mestrado, doutorado, ainda mais adultos! Mas a aparência física também conta. Você pode ter idade, dinheiro ou títulos, mas se ainda tem aquela cara de criança, dificilmente vão te tratar como um adulto!

Pois é. Só que esses critérios são bem falhos e não se aplicam a todos os casos (como qualquer critério fornecido por esse mundo). Há pessoas muito novas e financeiramente independentes, como pequenos artistas de TV. São adultas? Há outras muito mais velhas e estudadas, mas na casa dos pais ganhando mesada. Outras independentes, mas sem estudo. Seria necessário ter todos os critérios juntos? Ou um ou dois mais importantes? Quais seriam? É confuso.

Li há um tempo uma reportagem (que você ler também aqui) falando sobre um novo paradigma para a adolescência: ela agora vai até os 25 anos. O próprio termo “adolescente” já é bem questionável (como você pode conferir nesse vídeo aqui), mas essa é a grande proposta científica de alguns psicólogos que apontam para o recente fenômeno de infantilização dos jovens, enquanto se digladiam para determinar as causas do fato.

Mas seria essa a solução? Ao perceber que os jovens estão cada dia mais irresponsáveis, os estudiosos apenas os encaixam num novo (ou antigo) rótulo, e procrastinam a maturidade. Não, o mundo realmente não tem respostas. Não tem como nos dizer o que é um adulto, nem o que devemos fazer para chegar lá. Mas a Palavra de Deus tem. Se aparência, dinheiro, conhecimento e tempo foram os melhores critérios em que conseguimos pensar, vamos ver o que a Bíblia fala de cada um deles.

1 Timóteo 4.8 diz que “o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.” Já a sabedoria de Provérbios 31.30 nos relembra de que “enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa sim será louvada.” Não adianta carregar na maquiagem, nem colocar aquelas roupas que te fazem parecer mais velha. Tampouco funciona ficar horas na academia em busca do corpo perfeito para dizer adeus à infância. Essas coisas são passageiras, e não vão definir a essência.

A independência financeira também não o faz. Segundo 1 Timóteo 6.6-10, são poucos os lucros trazidos pelo dinheiro, em si: “Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." Ter ou não dinheiro, é questão de contingência. Ser financeiramente independente não é, por si, um sinal de maturidade.

Quanto ao conhecimento, Eclesiastes 12.12b-13 sentencia: “não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne. De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem.” Muitos títulos, muitas pesquisas, longa experiência no mercado? Todo o seu cansaço também não impressiona.

E tem mais, a sua certidão de nascimento também não está a seu favor. Transcurso de tempo não atesta amadurecimento: “De fato, embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido! Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça. Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal.” (Hebreus 5:12-14).

Mas você reparou que esses textos não trazem apenas más notícias? Eles desconstroem nossos critérios falhos mas apontam uma esperança inabalável: expõem as verdadeiras características de um adulto. Releia os versículos buscando perceber o que têm em comum. Exato. Piedade e temor a Deus são os termos recorrentes e centrais dos textos bíblicos mencionados. O de Hebreus deixa, inclusive, bem claro o significado de “piedade”: “exercício constante”, vida prática que acompanha a sã doutrina. Deus define como “adulto” aquele que o teme, e que pratica, com perseverança, o que Ele ensina.

Ora, não quero dizer aqui que quem quer ser adulto não deve estudar, que não pode aspirar um bom emprego, qualificações ou mesmo uma boa aparência. Não é isso que a Palavra de Deus ensina. O que ela mostra é que essas coisas são efêmeras, passageiras, e não trazem, por si só, a verdadeira maturidade. São, portanto, parâmetros falhos para identificar corretamente um “adulto”, bem como para admirá-lo como tal. 

É por isso que tanto homem barbado e bem empregado por aí, e tanta mãe de filhos cheia de titulações acadêmicas não passam de crianças. (Ou de “adolescentes”, segundo as novas diretrizes da psicologia.) E é por isso também, que seja você quem for, com cara de menina, idade de menina, morando na casa dos pais enquanto concorre ao primeiro estágio (que nem vai ser remunerado), não importa... você pode ser adulta. A Bíblia, aliás, te convoca a isso. A Bíblia chama moças e rapazes a serem piedosos e tementes a Deus. Nos convoca à maturidade. Nos convoca a sermos exemplos.

Lembra das pessoas que você listou mentalmente no início deste artigo? Aquelas que são exemplos para você? Pois é, seja qual for a sua idade, Deus quer que VOCÊ seja também um modelo.

Citando novamente Paulo ao jovem Timóteo: “Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza. Até a minha chegada, dedique-se à leitura pública da Escritura, à exortação e ao ensino. Não negligencie o dom que lhe foi dado por mensagem profética com imposição de mãos dos presbíteros. Seja diligente nestas coisas; dedique-se inteiramente a elas, para que todos vejam o seu progresso. Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, fazendo isso, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem.” (1 Timóteo 4:12-16).

Reparou no exercício da piedade e do temor ao Senhor? É isso que Deus deseja também de você. Se esforce. Cresça! Seja adulta, seja exemplo! Não se acovarde com um mundo guiado pelas aparências, nem ceda à tentação de ser criança para sempre, achando que essa é a forma mais feliz de se viver. Ame o que a Palavra de Deus te diz que é bom, ame a maturidade e persiga-a. Deus tem altas expectativas em relação a você, e poder suficiente para concretizá-las. Como mais um passo para esse exercício leia a série: Vida paralela de nossas mentes. Já disponível no Implicações.

Por Hannah Motta

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