Uma fé implicante

Uma fé implicante
14 de julho de 2016

14:00
Platão argumentava que o homem e a mulher foram criados como um único ser, mas que os deuses não gostaram dessa mistura e os separaram deixando-os para sempre buscando um ao outro. Por isso quando um casal se abraça é pelo desejo intrínseco neles de se unirem novamente.[1]

Gênesis, na criação da humanidade, observa-se a seguinte proposta: “não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”. (Gn 2.18). Não é bom... Nessa afirmação ver-se que algo estava faltando. Como Deus criou o homem esse era perfeito em sua essência, era a imagem do Deus vivo. Mas é justamente diante dessa essência perfeita que estava à possível “falha”, já conhecida por Deus, mas aqui registrada para enfatizar um atributos peculiar de Deus. Deus é um Deus trino e se relaciona entre si, por isso auto-suficiente. Já o homem, recebendo esse divino atributo, necessitava de alguém para compartilhar dele – Far-lhe-ei... – Não é que a mulher foi criada em função de Adão, mas para o propósito de Deus para com ele. Agora criada, ela é o elemento chave para que a imagem de Deus seja refletida com mais perfeição. Agora tanto homem como mulher podem desfrutar do maravilhoso atributo de Deus, O ser relacional.  Para que a imagem de Deus gravada em Adão fosse manifesta em sua totalidade se fazia necessário a Mulher.

Uma Auxiliadora que lhe seja idônea... De que forma Eva cumpriria com seu propósito? Sendo uma ajudadora para Adão. Ajudadora não é usada de forma depreciativa, pelo contrário, coloca a mulher como parte de uma causa. Entretanto mostra que existe diferença, o que deveria ser indiscutível. As escrituras não defende a igualdade absoluta entre homem e mulher, mas isso não implica em desagregação de valores.[2] Literalmente a expressão usada aqui é parte oposta a ele, ou seja, correspondente.[3] Imaginemos duas partes de um quebra cabeça, se as duas peças fossem semelhantes não haveria harmonia. Entretanto o fato delas serem diferentes não indica que uma seja mais importante que a outra. Esposo e Esposa, uma só carne. Igualmente importantes, mas duas partes diferentes da imagem de Deus figurada no ser humano. 

E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. Gêneses 2.22-14.
Como já visto a mulher foi feita para corresponder o homem, mesmo sendo criada da mesma substancia essencial é um ser completamente novo.[4] O Homem precisa da mulher tanto quanto ela precisa dele. Adão aprovou a obra magnífica de Deus e reconheceu que juntos seriam completos. É diante disso que Deus institui o matrimônio. Existe um conceito na teologia tradicional conhecido como hierarquia funcional. A dificuldade com essa terminologia "hierarquia" não está em seu uso ideal, porém a compreensão do termo sugere para grande maioria um grau de importância na função dos indivíduos. O termo hierarquia foi desgastado pela estrutura operária dos sistemas econômico. Por isso o termo soa de forma áspera à sociedade. A posição de Deus Pai, na administração trindade, não é mais importante que a ação do Espírito Santo, nem tão pouco diante da obra de Cristo, embora Eles cumpram funções diferentes. O mesmo acontece na relação homem e mulher. A mulher está subordinada a função do homem tanto quanto ele está subordinado a função da mulher. Por isso abandono a imagem da piramide configuro, na dinâmica funcional, o simbolo da aliança: não há começo nem fim, menor ou maior, mas homem e mulher estão dentro de um propósito único, desta forma um nunca erra sozinho, pois cumpro a minha função em função do outro. 


1Coríntios 11:11: 

No Senhor, todavia, a mulher não é independente do homem, nem o homem independente da mulher.

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[1] CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. 2.ed. São Paulo: Hagnos, 2001. p.28 
[2] CHAMPLIN, Russell Norman. Op. Cit. p.28
[3] KIDNER, Derek. Genesis: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, Mundo Cristão, 1985. p. 62
[4] Idem Ibdi. p. 62
[5] LOPES, Augustus Nicodemus; LOPES, Minka Schalkwijk. A Bíblia e a sua família: exposições bíblicas sobre o casamento, família e filhos. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. p.92.
[6] BÍBLIA de estudo NVI: nova versão internacional. São Paulo: Vida, 2003. p.11
[7] CHAMPLIN, Russell Norman. Op. Cit. p.239

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