TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

24 de julho de 2015

01:53

Até aqui vimos que tanto os autores humanos quanto o Autor Divino são considerados os escritores da Bíblia. Como então conciliar estas duas verdades? A própria Escritura também responde esta questão, pois como foi visto anteriormente, os próprios apóstolos e profetas falavam convictos de que estavam sendo dirigidos pelo Espírito Santo enquanto ensinavam as Escrituras[1]. A seguir, serão transcritos alguns textos bíblicos que apontam para dupla autoria das Escrituras.


2Samuel 23.2-3 – O Espírito do Senhor fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua (Ênfase do autor).


1Coríntios 2.4-13 – ​“A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, ​para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus. ​Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; ​mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; ​sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória; ​mas, como está escrito: ‘Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam’. ​Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. ​Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está?                  Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. ​Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente.​ Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais” (Ênfase do autor).


1Coríntios 14.37 – “Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo(Ênfase do autor).


1Tessalonissences 2.13 – Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes” (Ênfase do autor).


2Timóteo 3.16-17 – “​Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, ​a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (Ênfase do autor).


2Pedro 1.20-21 – “sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo  (Ênfase do autor).


Com base nestes textos, e em outras passagens das Escrituras podemos concluir que os próprios escritores humanos reconheciam escrever inspirados por Deus e guiados pelo Espírito Santo. Assim, para os escritores humanos da Bíblia, os escritos possuíam uma dupla natureza, e por isso, conclui-se que há sobre as Escrituras uma dupla autoria, a saber, os autores humanos e Autor divino. Ademais, ainda na perspectiva dos autores humanos, vê-se que por mais que haja vários escritores humanos, há, sobretudo, apenas uma Fonte sobre as Escrituras, a saber, Deus. 

Como J. I. Parker (1976) argumenta, “a Bíblia apesar de ser um livro humano, que fala de pecado e do erro e em muitos lugares da fraqueza dos seus autores, não deixa de ser, acima de tudo, uma obra divina, cujo autor primário é Deus”[2]. E seguindo o mesmo raciocínio, A. W. Pink (1979) diz: “A imagem divina se acha estampada em cada uma das páginas. Escritos tão santos, tão celestiais, tão profundamente criadores de temor não poderiam ser produzidos pelos homens”[3]. Em outras palavras, por mais que haja uma dupla natureza nas Escrituras, os próprios escritores humanos reconheciam que a Fonte última das Escrituras é de Deus.


[1]   COSTA, Hermisten Maia Pereira de. Op cit. P.104.
[2]   PARKER, J.I. Revelação e Inspiração. In: DAVIDSON, F. O Novo Comentário da Bíblia, 2ª Edição. Vida Nova. São Paulo: SP. 1976, p.29.
[3]   PINK, A. W. Enriquecendo-se com a Bïblia. Editora Fiel. São Paulo: SP. 1979, p.29. 

por Paolo Freitas