Uma fé implicante

Uma fé implicante
12 de março de 2015

17:00
“…a Boaz nasceu, de Rute, Obede” Mateus 1:5b

Na sequência das mulheres da genealogia de Jesus, a próxima que encontramos é Rute. Sempre que penso na história desta mulher, me vem a ideia de um lindo cenário romântico. Não sei quanto a você, mas a maioria das pregações e estudos que ouvi, sempre falavam da fidelidade dela para com Noemi, ou ainda do resgatador, Boaz – filho da última mulher que estudamos. Me lembro que este de romantismo começa bem turbulento. Perfeito para as histórias de Jane Austen¹, mas graças a Deus que esta história foi escrita por Aquele que tem planos muito além dos quais possamos imaginar (Jr29:11).

A história de Rute passa-se no contexto do livro de Juízes, em tempos de apostasia, caos moral e social em Israel, Elimeleque decide mudar-se com a sua família para Moabe, pois em Judá havia fome. É em Moabe que acontece o primeiro casamento de Rute, com Malom. E um tempo depois Rute fica viúva. Após a trágica morte de todos os homens da família sua sogra decide retornar a Judá, Rute e Orfa não são enganadas quanto ao quadro sombrio que era viver sob a Ira de Deus, pois Judá estava sendo julgado pelo seu pecado, havia fome naquela terra. Orfa por isto, foi dissuadida, já Rute fortalecida. Contudo, o que podemos aprender com a vida desta moabita que entrou para genealogia de Cristo?

A maior lição que temos com a vida de Rute, é a sua conversão de adoração aos deuses pagãos à adoração a Deus. Os moabitas eram conhecidos por sua idolatria a Quemos (1Re11:7,33; Jr 48). Não é difícil de percebermos que ela era uma idólatra. Quando a decisão de retornar a Judá é tomada, Noemi em dado momento, declara: “Eis que tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses; também tu, volta após a tua cunhada” (1:15). Temos aqui a demonstração de que a idolatria esteve presente, de alguma maneira, em suas vidas. Contudo, Rute tem uma atitude inesperada, ela decide ficar com a sogra e demonstra a sua conversão em simples palavras, “o teu Deus, será o meu Deus” (1:16). É então que a sua vida começa a mudar. Ela que era uma mulher que havia ficado desamparada pela viuvez, sem filhos, vê Deus transformar a sua vida em um canal de bênçãos para toda uma nação, pela simples e mais importante decisão de reconhecer quem é Deus.

Todas as bênçãos que vemos em sua vida, como a provisão em meio a fome, o resgatador, o gerar Obede,  vieram após esta simples declaração. Porque, simplesmente, não podemos servir a dois senhores. Rute não poderia adorar a Quemos e a Deus. Ela escolheu bem, escolheu adorar ao único que é digno de receber honra, glória e louvor. Ela reconheceu que Deus era quem estaria com ela (Sl 96:4; 66:4).

Na nossa vida, no momento em que decidimos aceitar a Cristo como nosso Salvador, igualmente temos que decidir abandonar a nossa confiança em falsos deuses. Tenhamos claro, que podemos estar criando deuses em nossos corações, não necessariamente a nossa idolatria tem sido voltada para imagens de escultura, mas sim aos desejos e prazeres que temos. Nós fomos criadas para adorar, adorar a Deus, mas devido a natureza caída, adoramos com facilidade coisas vãs (Dt30:17, Jz2:17). Podemos ver isto, mesmo num local não alcançado, onde nunca se pregou o evangelho, quando você chegar lá vai ver que algo ou alguém naturalmente é adorado. Pois naturalmente adoramos.

Por sermos “adoradoras de nascença”, caímos em idolatria, mesmo reconhecendo que é pecado, temos que ter a atenção, pois tendemos transformar coisas boas em ídolos. O ministério pode tornar-se um ídolo, um casamento, um filho. E a idolatria sempre será pecado e por ser pecado sempre será tratado com disciplina pelo Senhor (Cl 3:5-6), Rute converteu seu coração ao Senhor, ela temeu a Deus, e o “temor ao Senhor conduz a vida; aquele que tem ficará satisfeito, e nenhum mal o visitará” – Pv 19:23

Você tem adorado somente a Deus, ou tem permitido que a idolatria sutilmente faça parte da tua vida? Rute largou o seu passado idólatra por um presente de verdadeira adoração.
Com Tamar aprendemos que somos totalmente perdoadas das nossas iniquidades, com Raabe que por vezes será preciso esperar, mas podemos confiar que Deus é fiel para cumprir aquilo que prometeu e com Rute aprendemos que Deus é zeloso, e quer a nossa sincera e total adoração, Ele não está disposto a dividir a adoração que lhe é devida com coisas vãs, pois nada poderá ser como Ele é.

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1 Jane Austen (1775-1817), escritora inglesa romancista, suas obras mais conhecidas são: Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade, Emma.

por Gabi Rocha

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