TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

26 de março de 2015

17:00
Era uma vez uma menina que toda vez que sentava pra ler a Bíblia tinha que reler várias vezes os versículos porque sempre seus pensamentos voavam e, quando ela percebia, não tinha retido nada das palavras pelas quais seus olhos passaram. Isso soa familiar?

Nesse artigo gostaria de conversar com vocês sobre uma área da nossa vida que por muitos anos foi uma luta pra mim – o controle de pensamentos. Não posso dizer que é uma luta 100% vencida, mas durante meu tempo no seminário, pude avaliar o quanto meus “inocentes devaneios” eram perigosos para mim e para meu relacionamento com Cristo, e essa avaliação me ajudou muito! Você já gastou tempo fantasiando sobre como sua vida seria se tal situação fosse diferente? Qual será seu futuro emprego; como será seu futuro esposo; como seria se você namorasse tal pessoa ou se você reencontrasse tal pessoa; ou ainda como seria sua vida se você seguisse tal carreira ou se você fosse famosa; como vai ser sua futura família ou como você reagiria em determinadas situações, etc.? 

Quero compartilhar com vocês sobre esse assunto, vou dividir esse artigo em duas partes para podermos conversar melhor. Mas talvez, até aqui você esteja pensando: mas o que há de errado em imaginar, sonhar ou fantasiar sobre o futuro? Não há nada de errado com isso, o problema é que a falta de controle sobre esses pensamentos pode nos levar à inversão de prioridades, desperdício do tempo, pensamentos impuros ou a acreditar em mentiras sobre nós mesmas. Que mal isso nos traz?

PRIMEIRO - Sermos más administradoras do tempo

Eu já deixei de fazer obrigações (deveres, responsabilidades, tempo com pessoas) porque dediquei tempo ao “mundo da lua” com meus pensamentos. Uma das áreas mais prejudicadas pra mim foi o estudo. A falta de disciplina com os pensamentos não me permitia ter controle sobre o nível de concentração que eu deveria ter durante a execução de uma tarefa, e por muitas vezes eu não era capaz de terminá-la no tempo em que eu gostaria. Isso nada mais é do que ser má administradora do tempo que Deus me deu, o que não me permite cumprir responsabilidades com a excelência que o Senhor merece.

SEGUNDO - Não sermos boa mordoma das oportunidades

Também perdi muitas oportunidades de servir às pessoas a minha volta. O tempo que eu desperdicei enrolando e perdida em pensamentos, eu poderia estar planejando outras atividades edificantes ou investindo em tempo de qualidade com pessoas (ligar para uma amiga, participar de mais um ministério da igreja, responder um e-mail, etc.). Com certeza isso não é ser uma boa mordoma das oportunidades que Deus me dá.

POR ÚLTIMO - Falta de domínio próprio e uma vida centrada no próprio prazer

Esta questão está ligada aos pensamentos inapropriados. Por exemplo, às vezes, ao imaginar como será seu casamento e lua de mel, você acaba deixando seus pensamentos te levarem para cenas que você sabe que não deveriam estar lá. Essa realidade evidencia falta de domínio próprio e uma vida centrada no próprio prazer. A culpa que nos sufoca depois também é prova que algo precisa mudar nesse hábito.

Você já tinha pensado que isso pode ser uma realidade com a qual você também luta?

O problema é que esse dilema não nos afeta diretamente, nem é do conhecimento de outras pessoas, por isso não o enxergamos como algo realmente sério que deva ser tratado. É verdade que muitos dos nossos pensamentos não são pecaminosos em si (embora alguns sejam!), mas isso não significa que eles não precisam ser avaliados e filtrados por um “padrão de qualidade” (Fl 4.8). 

A mente humana é um tesouro dos mais preciosos, mas a Bíblia também afirma que os pensamentos são o berço de onde nascem práticas malignas (Rm 1.21; Tg 1.14,15). É por esta razão que Satanás tem prazer em atacar nossa mente, pois ele sabe que nossa vida mental controla nossas atitudes. E o potencial que poderia ser explorado para a glória de Deus (nossas ideias, criatividade, concentração), acaba levando à coisas fúteis e que até chegam a tomar o lugar de Deus, ao invés de nos aproximar dEle (Sl 94.11).

É confortável e prazeroso imaginar-nos em situações agradáveis ou dedicar tempo a “novela” da vida que criamos em nossas cabeças. Por esta razão, muitas vezes nos damos o direito de “viajar” sem nenhum controle ou censura. Entretanto, nossos desejos, pensamentos ou emoções não podem ter autoridade sobre nossas ações. É preciso manter nossos pensamentos cativos (2Co 10.5). Decidir conservar sua mente provida de alimento próprio é declarar uma verdadeira guerra! Como podemos vencê-la? Conversaremos mais sobre isso na PARTE 2 de nosso artigo.


Gostaria muito de pedir a interação de vocês respondendo e comentando o que vocês pensam ou como se sentiram depois de ler sobre esse assunto. Em breve, teremos mais uma autora escrevendo para a coluna Pra Elas, a Gabi Rocha, e teremos ainda mais recursos voltados para nós, mulheres! Mas a participação de vocês faz toda diferença, tanto nos direcionando sobre o que escrever, quanto nos encorajando a fazê-lo. Além do que é muito legal conhecer vocês, leitoras! Então, por favor, comentem, escrevam e-mails, perguntem ou falem qualquer coisa que vier à mente =) Será um prazer interagir mais com vocês!  Meu e-mail: alinesc.es@facebook.com 

por Aline Dolan