Uma fé implicante

Uma fé implicante
18 de junho de 2013

22:56


Essa é fácil de responder principalmente se olharmos os resultados em alguns estados nordestinos onde eles foram um sucesso, antes mesmo de acontecerem: “a partir de julho o transporte público será 0,10 centavos mais baratos”.

Li declarações tanto cristãos, como não cristãos para chegar a uma opinião sobre o assunto. Algumas espiritualizaram os fatos, outras supervalorizando os protestos, mas uma maioria foi sensacionalista.

Entretanto algo ficou claro. Os manifestantes não têm um ideal comum: "Não são só 0,20 centavos", isso é o que estão dizendo por ai. Apesar de ser uma verdade, perguntando a algumas pessoas que participaram do movimento escutei uma lista de motivos entretanto nenhuma proposta é clara. Quando questionados acerca do resultado que eles esperam com isso as respostas são as mais diversas. Sem ideais bem definidos o resultado será muito alvoroço, mas pouco resultado. A poeira vai baixar e tudo será igual. A não ser pelo preço da passagem que provavelmente irá diminuir.

Em um dos e-mails do CéU falamos sobre movimentos e de como eles mudam o mundo. Temos relatos por toda a história, dentro do "protestantismo cristão" e até mesmo aqui no Brasil. Entretanto a formula precisa ser Insatisfação + ideal. 

Temos insatisfação - Corrupção, descaramento do governo em fazer o que quiser e sair de e gabar de bonzão sendo indiferente a opinião do povo. Tudo isso também gera em mim insatisfação. Quando falo de indiferença não estou falando que o povo sabe necessariamente o que é melhor para ele, mas sim que ele necessita e merece esclarecimentos. Pessoas não podem ser tachadas de tolas, mas sim conduzidas de leigas a avaliadoras.

Faltam Ideais - Se no primeiro critério o brasileiro vai bem, no segundo ainda falta um bocado. Ideais trançam um caminho, determinam um fim, apresentam uma proposta. Não tem como chegar sem saber para onde se vai. Por isso quando me perguntam minha posição minha respondo: posição a quê?

Se é referente a protestar contra as injustiças sócias, sou a favor. Protestar sem traçar contornos para os resultados esperados (o que está acontecendo), não me envolvo, não apoio. O porquê? Com povo dirigidos apenas pelo espírito de indignação teremos rebeldes e não reformadores. O que me trouxe a mente a frase de um de nossos exemplos: 

Contra as hordas de camponeses (…), quem puder que bata, mate ou fira, secreta ou abertamente, relembrando que não há nada mais peçonhento, prejudicial e demoníaco que um rebelde. Lutero, Exortação a Paz

Espero que os protestos amadureçam nesse sentido e que os brasileiros comecem a pensar e propor movimentos que realmente sejam significativos.

Mas nós cristãos como entramos nisso?

Porque assim é a vontade de Deus, que fazendo o bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus. Honrai a todos. Amai fraternalmente. Temei a Deus. Honrai o rei. Pedro 2.15-17

Se Cristo é o exemplo, então nos levantemos contra aquilo que está errado, fiquemos realmente indignados com a corrupção e a injustiça. Mas nossas ações são limitadas aos 4 aspectos listados por Pedro. Honra a todos, amar fraternalmente, temer a Deus, honrar o governo sobre nós. Honrar um governo não significa acatar o que existe de errado nele, mas trata-lo a partir da honra a todos, do amor fraternal e do temor a Deus. Diante disso rapamos-lhes a boca, pois estamos tomando as medidas corretas para intervir nas questões apresentadas. 

É verdade que mortes algumas vezes acabaram por ser necessárias, mas isso não significa que este princípio foi quebrado, mas que diante do ideal correto um grupo se posicional para que o governo ocupasse esse posição de honra.

Mas não se engane. O propósito do cristão não é mudar o mundo. Nosso posicionamento tem como objetivo final não uma sociedade melhor, mas o testemunhar dos princípios do Reino eterno.

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