Uma fé implicante

Uma fé implicante
22 de dezembro de 2012

00:16
“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.”
Romanos 7.18-24

                Este trecho da carta do apóstolo Paulo aos Romanos tem intrigado os estudiosos bíblicos, quanto ao entendimento de quem Paulo se referia. Estaria Paulo pensando nele mesmo, expressando alguma luta interior entre a sua vontade e uma tentação pecaminosa? Seria uma menção ao judeu que se apoiava na Lei do antigo Testamento, a qual não podia outorgar-lhe santidade interior completa? Poderia se tratar de uma alusão ao cristão antes da sua transformação e novo nascimento no Espírito? Ou, quem sabe, estaria Paulo pensando no cristão genuíno, nascido no Espírito, salvo eternamente, porém que ainda podia e pode se ferir em sua presente luta contra o pecado? Uma argumentação para a solução desses problemas exigiria muito mais espaço aqui, porém, podemos inicialmente refletir em duas verdades bíblicas inegáveis sobre o cristão e o pecado:

1. Definitivamente, o cristão não é um escravo do pecado
                Com a conversão de vida, nosso “velho homem” foi crucificado em Cristo para não servirmos mais ao pecado (Romanos 6.6), pois, este mal não pode mais se a senhora de nós (Romanos 6.14), uma vez que o rejeitamos, abrindo mão da antiga maneira de viver sem Deus (Colossenses 3.9), quando fomos tornados novas criaturas (2 Corintios 5.17) para praticar a justiça de Deus (1 João 2.9) no lugar da busca pela satisfação das vontades pecaminosas (Efésios 2.1-5).

2. Temporariamente, o cristão luta e sofre com o pecado
                O genuíno cristão que conheceu e conhece a Deus não vive na prática contínua, viciosa e escravizadora do pecado (1 João 3.9), mas ainda erra por palavra, ação ou intenção porque, apesar de já andar no caminho da perfeição, AINDA não é perfeito (1 João 1.8-10) e precisa da intervenção do Justo Advogado junto ao Santo Juiz (1 João 2.1), uma vez que em Cristo experimenta uma realidade interior que não conhecia antes de nascer de novo: a luta entre o Espírito e a carne dentro de si (Gálatas 5.16-25). Eis a razão dos tantos imperativos no Novo Testamento que apontam a direção certa e nos corrigem daqueles caminhos inapropriados que tomamos em algum momento da vida cristã, por conta do descuido ou do orgulho para lidar com a tentação ou pressão.
                Gosto de pensar nestas duas verdades para compreender o que Paulo disse sobre o “não fazer o bem que prefere e fazer o mal que não deseja”, à luz de três experiências temporais do poder libertador de Cristo sobre o pecado:

ü PASSADO: Cristo nos libertou da penalidade do pecado (a justificação)
ü PRESENTE: Cristo no liberta do poder do pecado (a santificação)
ü FUTURO: Cristo nos libertará da presença do pecado (a glorificação)

                Temporariamente estamos sujeitos à presença do pecado na vida, como aquela pedrinha no sapato que um dia será retirada! Este mal já é uma espécie em extinção, cujo cadáver, à medida que vai apodrecendo, exala seu cheiro da morte entre o perfume da nova vida em Cristo. Sigamos em frente, agradando a Deus e contando com a força, perdão, graça e aperfeiçoamento que vêm dEle! Enquanto isso, aguardamos aquele “novo dia”, no qual não mais existirá a batalha interior entre a convicção de aceitar a frustração de errar. Uma antiga música ilustra isso:

Novo Dia (GRUPO LOGOS)
Quando os momentos da vida me fazem ver
O que aqui dentro existe vou lhe dizer
Luto pra conseguir força pra fugir, faço o que posso
Mas já não sou vencedor, outra vez errei
O que faço é o que não quero, o que quero é o que não faço
Vivo nessa luta, mas eu sei: há um novo dia!
Há um novo dia! Há um novo dia! Há um novo dia!
E quando isso acontece consigo só sentir
Que minha fé desvanece parece vai sumir
Mas compreendo então sinto que apesar de errar
Ainda sim consigo ter, ter de Deus o amor que me dá perdão
Só assim consigo ir e me animo a prosseguir
Crendo que a vitória certamente ainda virá pois, há um novo dia!
Há um novo dia! Há um novo dia! Há um novo dia!
Emerson S. Pereira

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