TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

11 de abril de 2012

19:20
            Em 2010 passei por um crise em relação a minha eclesiologia. Estando em meu terceiro ano de seminário e tendo o privilegio de ser diariamente exposto as escrituras, questionamentos quanto a minha forma de culto e ao modelo de igreja, que sempre fiz parte, começaram a me preocupar. Isso logo se transformou em uma frustração que me impulsionou ao desejo de “redescobrir e proclamar o verdadeiro sentido de igreja”. O que primeiro se evidenciou como inimiga da igreja foram as estruturas denominacinais que estavam criando igrejas franquias, para mim o que mais se aproximava do movimento denominacional eram os partidos citados na carta de Paulo aos coríntios. Porém meu desejo não apenas destruir os modelos denominacionais, mas fazê-los romper que a toda estrutura demoníaca que tinham assumido.
            Não demorou muito para que eu tivesse a oportunidade de pregar sobre o que era uma verdadeira igreja. Como um defensor da fé evangélica, preguei convencido de que poderia romper com as paredes que estavam aprisionando a igreja há tanto tempo. Nunca me senti tão aliviado e com o sentimento de que cumprir com meu dever, até que um de meus amigos chegou para mim e perguntou: Lucas se nada disso é igreja, o que é igreja afinal? Pensei que fossemos uma igreja.  Aquilo veio a mim como uma pancada, fiquei sem palavras e minha única reação foi a de pedir perdão e dizer que as portas do inferno nunca prevaleceram, nem prevalecerão sobre nós Mt 16.18.
            O conhecimento bíblico muitas vezes vem de encontro com a nossa imaturidade e esse impacto gera feridas profundas e alguém precisa ser penalizado por isso: Como puderam deixar que eu vivesse assim todo esse tempo. A outras pessoas precisam saber da verdade. Quem não esta comigo, esta contra mim. Quem está contra mim precisa ser condenado.
            Mas a Epistola a Tito trás uma perspectiva diferente quanto ao tratamento Cristão:
Não caluniem a ninguém, sejam pacíficos e amáveis e mostrem sempre verdadeira mansidão para com todos os homens. Houve tempo em que nós também éramos insensatos e desobedientes, vivíamos enganados e escravizados por toda espécie de paixões e prazeres. Vivíamos na maldade e na inveja, sendo detestáveis e odiando-nos uns aos outros. Mas quando se manifestaram a bondade e o amor pelos homens da parte de Deus, nosso Salvador, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador. Ele o fez a fim de que, justificados por sua graça, nos tornemos seus herdeiros, tendo a esperança da vida eterna. Fiel é esta palavra, e quero que você afirme categoricamente essas coisas, para que os que crêem em Deus se empenhem na prática de boas obras. Tais coisas são excelentes e úteis aos homens. Evite, porém, controvérsias tolas, genealogias, discussões e contendas a respeito da lei, porque essas coisas são inúteis e sem valor.
Tito 3.2-8

            A percepção que temos a cerca do Evangelho de Deus, assim como nossa salvação não é mérito nosso. Cristo pede-nos uma transformação segundo a renovação do nosso entendimento (Rm 12.2), e ao conhecermos mais a cerca da vontade de Deus precisamos mudar e levar outros a mudança. Somos convidados ao amor e a compaixão (que Cristo teve ao nos salvar e tem para conosco, nesse processo de santificação) para com a falta de percepção que os outros a nossa volta podem ter. Sabendo também que esses que nos cercam serão instrumentos de Deus para que a nossa percepção seja, também, apurada.
            Apesar de uma onda de insatisfação que tem invadido a Igreja, é necessário parar e refletir quais os verdadeiros inimigos para que eles sejam silenciados (Tito 1.11). Um dos grandes movimentos, atualmente, são os adnominacionais, dos quais muitos demonizam as estruturas atuais as acusando de secularizarem o Cristianismo. Porém a avaliação feita por Mark Shaw em seu livro Lições de Mestre, trás a uma reflexão aos verdadeiros inimigos. O primeiro inimigo apontado por ele é o Sectarismo. Tito mostra que a vida cristã caminhar de investimento mútuo onde não a espaço para isso. Ao compreender e seguir esse princípio seguiremos as boas obras e não discussões secundárias. Shaw através dos escritos de Burroughs apresenta a importância das diferenças em meio à unidade. Propõe uma interação denominacional para a saúde do corpo. Segundo ele sentir-se ameaçado pelas diferenças já é avançar em direção ao espírito de sectarismo. Sendo assim na busca para resgatar o objetivo das denominações em sua origem, como sendo inclusivo; um termo ecumênico. Ele implica que o grupo q que se refere é apenas um membro, chamado ou denominado por um nome em particular, de um grupo maior, a igreja, a qual a denominação pertence. Dessa forma as denominações seriam as grandes aliadas para manter a unidade e a pureza do evangelho.
            O grande perigo de muitas igrejas ditas como adenominacionais é buscar viver a parte das demais igrejas que “vivem um evangelho contantinopolizado”. De forma inconsciente quem dentro do seu modelo de igreja representar, sozinha, a Igreja de Cristo em sua totalidade, esquecendo que a verdadeira unidade é baseada no Evangelho comum e deveria ser expressa pela cooperação.
            Bueeoughs diz que a igreja precisa ser estruturada para manter o evangelho e ainda permitir a diversidade de opiniões em áreas como o governo eclesiástico, formas de louvor e os sacramentos. E o denominacionalismo clássico é um dos aliados mais poderosos que possuímos para vencer o sectarismo e sincretismo e restaurar a unidade visível do corpo de Cristo.  Quanto àquele que provoca divisões, advirta-o uma e duas vezes. Depois disso, rejeite-o.  Você sabe que tal pessoa se perverteu e está em pecado; por si mesma está condenada (Tt 3.10-11).