TEOLOGIA

PARA O DIA-A-DIA

23 de abril de 2012

19:18

Um leitura cristã de “Entendemos, ainda, grandeza?”
Élcio Verçosa Filho: Folha de S. Paulo, 13 de abril de 2012 

A folha de São Paulo trouxe uma reflexão de Élcio Verçosa Filho, doutor em filosofia da religião pela PUC-SP. O titulo é Entendemos, ainda, a grandeza? Ele aborda o relativismo pela perspectiva da tolerância mostrando a perda que este traz a sociedade ao minar as percepções avaliativas.

Os valores bons e maus, qualidades e defeitos estão em desuso. A filosofia nietzscheana está impregnada na ideologia humana, mesmo que como indivíduos as pessoas não a tenham de forma sistematizada. 

A classificação ou avaliação assumiu uma visão pejorativa onde aqueles que se vale por ela são tidos como “intolerantes” ou “ou autoritaristas”, um contrato social que favorece a pouco, se não, apenas aqueles que se valem disso para se tornarem “Super-Homens”. Esse contrato, no entanto, é incoerente em si e se anula ao propor o conceito de “crueldade” e “ausência de compaixão”. 

Se a ideia do “assassino de Deus”, em seus devaneios egocêntricos, é abraçada por uma lado, o homem não consegue, o que é natural, abrir não da intrínseca necessidade de medir a partir de um ideal, por isso insiste em negá-lo e moldá-lo a sua vontade.

Se os argumentos de Tomas de Aquino não têm mais validade hoje, se dá pelo fato de não se conseguir mais, com as categorias de que dispomos, articular aquilo que experimentamos em um discurso racional.

A convicção pessoal não é mais um real interesse, não é mais pensável quem somos nem qual o nosso bem, mesmo assim muitos concordam com a Aristóteles que, como Aquiles, mais vale queimar intensamente por um tempo breve em nome de causas belas e nobres do que passar uma vida inteira vegetando na mediocridade. Um relativismo sincretista, que inibi a querência. A situação se agrava quando essas percepções alcançam a cosmovisão, ludibriando o ser em uma certeza intuitiva (na existe um mundo efetivo). 

Porém a pergunta chave feita pelo escritos é se é mesmo verdade que não temos nenhum conhecimento objetivo do que é “bom” e “mau, “alto” e “baixo”, “grande” e “mesquinho” no sentido moral? 

Quanto a isso o Apostolo Paulo nos deixa claro em sua carta aos Romanos. Utilizando do argumento da lei impressa nos corações do homem para condenar aqueles que se opõem a Deus (2.13-15). Aqueles que lêm o divino a imagem da criatura (1.23). Pessoas deficientes em no âmbito cognitivo (1.22) que se perdem em seus discursos (1.21), afinal como dar sentido ao que não tem querência. Esse retrato feito por Verçosa só nos mostra que nada mudou, apesar da nova configuração sistemática e termológica a humanidade lida com isso desde que Adão buscou agradar a sua vontade, passando pelo tempo dos Juízes, onde o relativismo assume uma figura semelhante a que temos hoje, pois por não ter Israel a Deus como Seu Rei e determinador do padrão perfeito, cada um fazia o que lhe parecia melhor (Jz 17.6). A problemática é a igreja absorvendo essa filosofia. A influencia causada pelo meio é uma realidade, mas iluminados pelo evangelho temos uma nova percepção que nos leva a uma transformação de mente e de atitudes (Rm 12.2). 

O relativismo pós-modernos tem entrado pela porta da frente das nossas comunidades e isso porque a liderança não estava preparada para lidar com os novos membros da fé cristã. Estes trouxeram consigo uma forma de ler o mundo, que comina em sua leitura bíblica: como o cristianismo é bom, o amor deve prevalecer. Porém, como a idéia de amor não foi reedificada, ser bom é ser tolerante e a tolerância pede aceitação. Se aceitação e tolerância não possuem uma base absoluta em Cristo os valores cristãos são anulados em função a um estilo de vida particular – a final seria loucura pensar em um evangelho que priva as pessoas da busca de sua felicidade .

O evangelho não nos convida a agregar aos nossos ideais os ideais de Cristo. Paulo Cesar, do Grupo Logos canta: quem sabe um dia o fará mudar de atitude, vida, rumo e de propósito. Em 1Pedro 1 somos convidados a cingirmos do entendimento, sendo sóbrio, não bitolados, porém esperando na graça revelada por Cristo. Devemos ser como filhos obedientes e não seguirmos a antiga ignorância que nos levava a alimentar a concupiscência. Nos fomos resgatados de uma vã maneira de viver que recebemos por herança (cf.13-21) e somos santificados pelo Espírito a partir da revelação divina nas escrituras. O evangelho é tolerante ao pecador, mas condena severamente o pecado. O pecado estupra a Deus, e o que a igreja tem feito muitas vezes é abraçado, mascara e ignorado pecados dentro do corpo por “misericórdia”, “compaixão”. 2Tm 2.24-26 mostra um equilíbrio, a necessidade do amor, da mansidão no tratamento de pecados, mediante esse amor ele precisa ser repreendido para que não caia em armadilhas e vivam em sobriedade. A tolerância da igreja deve transformar e não levar a morte. Precisamos abraçar e amar todo pecador, tolerá-los em suas limitações, nossa luta não é contra carne e sangue. Portanto é nossa responsabilidade, avaliarmos, sobre esse novo prisma bíblico, o mundo, a sociedade e tudo que nos cerca e reagirmos de forma que glorifique a Deus, para isso nosso senso de grandeza deve estar apurado: quanto mais próximo dos ideais do Eterno melhor.

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