Uma fé implicante

Uma fé implicante
25 de setembro de 2011

15:28


Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea. Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lhe trouxe (Gn 2:18;21-22)
O casamento foi uma instituição criada por Deus. Ao formar do pó da terra o homem o supriu com as condições ideais nas quais deveria servir como governante representativo de Yahweh na Terra.[1] A instituição começou com Adão e Eva como pais da humanidade.
O capítulo 1 de Gêneses da uma visão panorâmica da criação do homem mostrando que a humanidade foi feita imagem, conforme a semelhança de Deus (Gn 1.26). Isso imputa a ela elementos básicos dos atributos comunicáveis de Deus. “Façamos o homem nossa imagem”[2] consiste também em faze-lo um ser relacional. Dessa forma sendo homem e mulher coparticipantes das bênçãos divinas.
Já no capítulo 2 a história torna-se mais detalhada, mostrando que homem não poderia desfrutar plenamente de sua condição de ser humano vivendo sozinho (Gn 2.18; 2.20). Diante disso, foi lhe dada a oportunidade de conhecer a comunhão ao formar de sua própria substância humana uma companheira que é perfeitamente adequada para partilhar de sua vida de serviço a Deus.[3]
O próprio Yahweh estabelece as diretrizes primárias à instituição matrimonial no versículo 24: “por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à uma mulher, e eles se tornarão uma só carne”. [4] Todo o casamento, portanto, quaisquer que tenha sido os motivos e as circunstâncias que culminaram nele, é uma união legítima entre um homem e uma mulher.”[5]   
Segundo Alan Myatt a essência do casamento consiste em 3 fatores fundamentais: (1) o homem deixar seu pais; (2) Unir-se à sua esposa; e (3) ambos tornam-se uma só carne.[6]
“Deixará pai e mãe”, por sua vez referisse ao sair debaixo da custodia protetora dos pais e tomar para si a responsabilidade diante de sua própria família.[7]
Uma transferência de lealdades e prioridades está envolvida nisso. Não é que os pais sejam abandonados, mas antes que um limite é traçado ao redor do novo casal, o qual não envolve os pais nem qualquer outro membro da família anterior. O limite se expandirá para incluir os filhos que nascerão no novo lar, mas somente com a condição de que eles também serão eventualmente liberados para formar suas próprias famílias.[8]

O “unirá a sua mulher” tem tanto a ideia de relacionamento sexual do cônjuge como também um compromisso estabelecido entre eles de fidelidade para toda vida.[9]. A união do casal aqui é mais do que apenas um relacionamento casual. A palavra hebraica (debeq) significa “apegar-se a” ou “grudar-se a”, tanto no sentido literal como figurado[10].
De acordo com Vaux esses termos também enfatizam que a vontade de Deus é o casamento monogâmico e que o pentateuco não expõe esse fato apenas nesse versículo de Gêneses, mas ao apresentar a descendência de sete como monogâmicos, citando o exemplo de Noé (Gn 7.7) e a de Caim como praticante de poligamia usando Lameque como exemplo (Gn 4.19)[11].
Um outro exemplo a considerar é o de Jacó com Lia e Raquel (Gn 29) onde a poligamia foi apresentada como fator de discórdia, onde ver-se o reflexo inclusive no relacionamento dos filhos.
O ultimo fator a considerar nesse é que o casamento deve ser heterossexual. Um homem se unirá a uma mulher, dois seres humanos iguais diante Deus mais diferentes e essência. É importante destacar que “uma vez iniciado, o casamento continuava como um compromisso de amor e como um meio de levar os filhos a conhecer a Deus e seu estilo de vida e de ensiná-los a se tornarem bons cidadãos de Israel, o povo de Deus.”[12]
O casamento tem se tornado cada vez, em meio a sociedade atual, como algo fadado ao fracasso. E as estatísticas mostram essa triste realidade e que nos mostra que cada vez mais o ser humano tem se fadado dos propósitos de Deus, seu Criador.
O mundo tem transformado o ato sexual em algo profano, distorcendo seu propósito a fim de satisfazer seus desejos egoístas da carne. O grande agravante é que pode-se ver nas igrejas o reflexo dessa banalização das diretrizes de Deus com o aumento de divórcios, homossexualismo e adultério. Sem contar com os diversos casos de fornicação.
Criado por Deus, o casamento, existe para que homem e mulher vivessem em união e desfrutassem da plenitude total da vida a dois. Com propósito de espalha a imagem daquEle que é Soberano através de um relacionamento indissolúvel.
A família sempre foi o alvo mais atacado por Satanás. A igreja precisa voltar-se aos padrões bíblicos instruindo homens e mulheres a respeito de seus papéis através de um trabalho preventivo de aconselhamento e acompanhamento.
Os jovens precisam atentar-se para as questões de fornicação compreendendo que o sexo é um presente de Deus que deve ser desfrutado a dois, debaixo de um compromisso matrimonial. Olhando a palavra e fugindo de todo e qualquer estilo de vida que não corresponda ao estabelecido por Deus. Para isso é fundamental que haja uma prestação de contas para pessoas, mas maduras nessa área e que os possa ajudar diante das dificuldades, assim como através da cobrança.



[1]     PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e desenvolvimento no Antigo Testamento: estruturas e mensagens dos livros do Antigo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2006. p.32
[2]     Todas citações estarão com base na BÍBLIA de estudo NVI: nova versão internacional. São Paulo: Vida, 2003
[3]     Idem.1 p.33
[4]     Versão Corrigida Fiel: BÍBLIA de estudo profética. São Paulo: Hagnos, 2006.
[5]     LOPES, Augusto Nicodemus e LOPES, Minka Schalkwijk. A Bíblia e a sua família: exposições bíblicas sobre o casamento, família e filhos. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. p.172.
[6]     MYATT, Alan D. O que é casamento? Disponível em: <http://www.monergismo.com>. Acesso em 26 jun 2007.
[7]     BÍBLIA de estudo NVI: nova versão internacional. São Paulo: Vida, 2003. p.10
[8]     Idem.6
[9]     THOMPSON, D. A. Deuteronômio, introdução e comentário. 1 ed., São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1982. p.235.
[10]    LÉXICO: hebraico. Bíblia Online v.3.0. CD-ROM
[11]    VAUX, Roland. Instituições de Israel no Antigo Testamento. São Paulo: Teológica, 2003. p.46
[12]    DOCKERY, D. S., ed. Manual Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2001. p.398.

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