Uma fé implicante

Uma fé implicante
5 de junho de 2011

15:07

Um argumento Teológico
É perceptível até mesmo na comunidade cristã evangélica que o divórcio tem crescido ao longo dos últimos anos. Muitos casais cristãos, diante de dificuldades relacionais, têm deixado de lado o voto que fizeram ao se casar - de permanecerem unidos e fiéis “até que a morte os separe” - para poderem se ver livres um do outro, a fim de seguirem o seu caminho individualmente e recome-çarem suas vidas.
Diante do secularismo, do relativismo e de uma contextualização tendenciosa e inadequada das Escrituras faz-se necessário discorrer, hoje, sobre o tema divórcio. Muitas famílias tem sido afetadas por esses movimentos ideológicos, o que pode resultar em uma má compreensão, ou contextualização errônea, da Palavra e/ou um mau entendimento de quem é Deus.
Este, visa conduzir os cristãos a pensarem sobre a possibilidade do divórcio como algo inviável e inaceitável, em qualquer contex-to histórico, à luz da revelação da pessoa de Deus (de seu caráter divino) e de Seu propósito geral para o casamento. A fim de que eventuais problemas enfrentados dentro do matrimônio sejam resolvidos de modo a manter o casal unido e em harmonia.
Criados à Imagem de Deus
Em Gênesis 1.27 é dito que Deus criou homem e mulher conforme a Sua imagem. O conceito de “imagem” nesse texto tem sido, ao longo dos séculos, muito debatido. Sem o intento de excluir ou debater qualquer posição quanto a uma definição exclusiva para esse termo, pode-se destacar a ideia de que “imagem” refere-se à representatividade. Deus criou o ser humano para que ele fosse seu representante em toda a Terra, por isso Ele deu ordem ao primeiro casal (e também a Noé – 9.1) que se multiplicassem e povo-assem toda a Terra (Gn 1.28). Assim, a imagem de Deus estaria presente em toda parte e Deus seria glorificado e conhecido por todos.
O casal tinha, portanto, a seguinte missão: serem representantes de Deus, a fim de que o nome do Senhor fosse glorificado em toda a Terra.

Um Propósito do Casamento
Romanos 11.36 diz: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”. Tudo o que foi criado por Deus tem um único propósito que abrange todos os demais propósitos existentes: Glorificar a Deus. “Tudo foi criado por meio dele e para ele” - Cl 1.16. Sendo assim, o propósito geral do casamento é glorificar a Deus.
Como, pois, poderia um casal glorificar ao Senhor? A resposta já foi dada nos parágrafos anteriores. Sendo representantes de Deus, espalhando a Sua imagem por onde passarem, para que o nome dEle seja conhecido.
Como pode, então, um casal refletir a imagem de Deus e ser um representante dEle? Isso não é tão simples. Por duas razões básicas: (1) O pecado afetou a natureza do homem e da mulher de modo que eles passaram a agir de modo reprovável por Deus. Portanto, a imagem refletida não representaria perfeitamente o caráter divino. Porém, com o novo nascimento, por meio da fé em Cristo, pode-se refletir melhor, a cada dia, o caráter do Senhor; (2) Necessidade de conhecimento de Deus. Como pode alguém representar alguém que ele não conhece? Para refletir a imagem do Criador em sua vida é necessário andar como ele anda. Assim, quando alguém olhar para o servo de Deus, ele verá não o servo, mas o seu Senhor. Para andar como ele anda é necessário conhe-cê-Lo.
Se Deus é amor e ele me ama, esse amor deve ser refletido na minha maneira de viver e nos meus relacionamentos. Se Deus é Justo em tudo que faz, então devo ser justo em tudo o que faço. Se Deus é gracioso para comigo, devo ser gracioso para com os outros. Assim, refletirei a imagem do Senhor em meu viver por onde passar.
Então, se Deus é fiel em Suas alianças e promessas, eu devo ser fiel às minhas alianças e promessas. Logo, se o casamento é uma aliança, eu jamais deveria voltar atrás com a minha palavra.

Conclusão
Pelo menos um dos motivos para que Deus odeie o divórcio é porque isso vai contra o Seu caráter divino. Quando alguém quebra um voto ou uma aliança, ele, então, não reflete a imagem do Criador em sua vida. Ele não está sendo um representante fiel do Deus que deseja ser conhecido e glorificado. Logo, o propósito divino para a criação foi contrariado. Ele pecou.
A proibição do divórcio não está baseada em contextos culturais ou temporais, mas sim no caráter de um Deus que é fiel e deseja ser conhecido por meio da representatividade de Sua criação. A fidelidade do casal cristão em seu casamento e a sua busca por um convívio em amor e harmonia constantes são, portanto, uma atitude motivada primeiramente por amor a Deus, ao Seu propósito para a criação e a Sua glória.
Devemos, então, nos esforçar para: (1) mantermos nossos votos e alianças, a fim de que sejamos representantes fiéis do Criador e cumpramos o propósito que fomos criados; e (2) conhecer a Deus, para que saibamos o caminho a seguir, mas sempre na depen-dência dele, pois sem o Seu poder em nós, que nos dá força para vencermos a nossa natureza pecaminosa, jamais conseguiremos refletir plenamente a imagem do Deus Criador, digno de toda a glória.
Casais, busquem a Deus todos os dias de suas vidas. Não deem lugar ao diabo nem aos seus desejos egoístas e pecaminosos. Cuidado com a amargura e a competitividade. Vocês não são inimigos que dormem juntos. Você são casais que Deus uniu. Ele deseja ser glorificado por meio do seu relacionamento. Amem incondicionalmente, sejam amigos graciosos, perdoem, se humilhem e jamais pensem em quebrar a aliança que um dia os uniu. Que Deus guarde nossas famílias.
"Eu odeio o divórcio", diz o Senhor, o Deus de Israel – Ml 2.16
Yuri Araújo Alves


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